'Impedir arma e droga em cadeia é difícil', diz secretário de Justiça

De acordo com o secretário Pedro Eurico, da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, mais de três mil armas brancas e 60 de fogo foram apreendidas dentro do sistema prisional pernambucano em 2017

Presídio Aspirante Marcelo de Araújo (Pamfa), um dos integrantes do Complexo do CuradoPresídio Aspirante Marcelo de Araújo (Pamfa), um dos integrantes do Complexo do Curado - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Após a morte de um agente penitenciário em um dos presídios do Complexo do Curado, na Zona Oeste do Recife, o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Estado, Pedro Eurico, admitiu dificuldades para evitar a entrada de armas e drogas nas unidades. O agente Roberto Murilo Almeida de Oliveira, 37 anos, foi morto na manhã dessa segunda-feira (19) pelo detento Luis Jonas da Conceição, de 24, que o atacou, tomou sua arma e lhe deu um tiro. Segundo o secretário, o presidiário, além de portar uma faca artesanal, estava sob efeito de drogas.

Questionado sobre como os presos têm acesso a armas e drogas, Pedro Eurico disse que os objetos são arremessados sobre os muros do presídio ou entram nas visitas. “Ano passado apreendemos 60 armas de fogo, mais de três mil armas brancas e milhares de celulares”, disse. De acordo com o secretário, foram adquiridos scanners corporais e equipamentos raio-x para aumentar a fiscalização na entrada de alimentos e objetos pessoais. O maior problema, afirmou, está no entorno dos presídios, onde existem muitas residências. Foram colocados alambrados nos muros, na tentativa de conter os arremessos.

A polícia ainda apura como entraram a faca e as drogas usadas pelo detento que matou o agente. Sabem que o crime aconteceu por volta das 5h. Luis Jonas fugiu de sua cela no Presídio Aspirante Marcelo de Araújo (Pamfa) e apareceu “visivelmente perturbado”, segundo os relatos, em frente à gaiola - estrutura que controla a entrada e saída da penitenciária -, dizendo que estaria sendo ameaçado de morte.

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O agente tentou conversar com o rapaz. “Ele abriu a porta e continuou conversando”, disse o secretário. “O detento portava uma faca e partiu para cima, pegando a arma do carcereiro e atirando nele”, prosseguiu Pedro Eurico. O presidiário foi contido por outros agentes com um tiro na perna e levado para o Hospital Otávio de Freitas, no Tejipió, Zona Oeste do Recife. Luis Jonas, que já respondia por roubo, também responderá por homicídio duplamente qualificado, em flagrante.

O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Pernambuco (Sindasp-PE), João Carvalho, diz que houve uma tentativa de fuga em massa da cadeia e rebate a informação da Secretaria Executiva de Ressocialização(Seres) de que não acontecia um assassinato de agente em serviço havia 24 anos. “Em 2013 um agente morreu quando fazia a escolta de um preso do Piauí para o Recife. E, ano passado, dois sofreram uma tentativa de homicídio no (presídio) Frei Damião”, afirma.

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