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Imunidade ao novo coronavírus ainda é incerta para especialistas

Pernambuco, São Paulo e outros países já registraram casos de cura da covid-19

CoronavírusCoronavírus - Foto: JACK GUEZ / AFP

Assim como em Pernambuco, em São Paulo e outros países já foram registadas curas do novo coronavírus. Porém o que ainda não se sabe é se os infectados podem ficar imunes ao Sars-Cov-2. De acordo com o chefe da Triagem de Doenças Infecciosas do Hospital Oswaldo Cruz (Huoc), o infectologista Filipe Prohaska, é muito cedo para ter esta resposta.

"Temos menos de 90 dias do início de todas as contaminações. Então, ainda é muito precoce para dizer que há capacidade de desenvolver imunidade contra o vírus. Mas aparentemente tem, sim, pois na grande maioria dos países que houve controle dos casos, como China e Coreia, não estamos vendo uma segunda onda de aumento. Pode ser sinal de imunidade", disse.

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Contudo, o especialista destaca que uma das certezas é que o vírus não permanece no organismo por tempo indeterminado. "O tempo que o ele permanece no corpo é bem variado. Pacientes com sintomatologia leve estão tendo alta entre 10 a 14 dias, até menos em alguns casos. Nos casos complicados em que se tem necessidade de terapia intensiva e outros tratamentos adicionais a gente exemplos de internamento de 14 a 21 dias", falou.

Independentemente de se criar imunidade ao vírus, ele desta a importância da criação de uma vacina. "Principalmente para o grupo de risco, sobretudo os idosos e os profissionais de saúde, pois estão mais expostos", falou.

Segundo a pneumologista Magda Manuza, na China houve o caso de um paciente que voltou a positivar para o Sars-Cov-2. Porém, não foi possível afirmar se isto ocorreu porque ele foi novamente exposto ao vírus ou porque ainda o tinha o no organismo.

"É tudo muito recente. Não tem nenhum estudo grande ou de grande repercussão que fale de imunidade após a doença. Essa é uma pergunta que todo mundo faz e quer saber a resposta. Então, eu acho que não demora para sabermos, mas para isso é preciso pegar um paciente que teve coronavírus e monitorar. Então, um mês, três meses é muito pouco para você falar que o paciente não volta a adoecer", falou.

Primeira cura em Pernambuco
A primeira cura clínica do novo coronavírus registrada em Pernambuco foi de uma mulher de 66 anos. Ela também foi a primeira diagnosticada no Estado com covid-19, doença causada pelo vírus Sars-Cov-2, e estava internada em um hospital privado do Recife, junto com o marido e a mãe, que também foram infectados. A notícia foi divulgada na sexta-feira durante coletiva para anunciar o balanço da doença no Estado, que até então tinha 31 casos confirmados.

Comparado ao boletim anterior, houve o aumento de três pacientes infectados, sendo dois moradores da Capital e um de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana. No total, Pernambuco tem 509 notificações registradas, com 289 casos ainda em investigação.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, André Longo, das 31 pessoas com covid-19 em Pernambuco, nove estão em isolamento hospitalar - três delas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), porém com quadros estáveis. Os demais se encontram em isolamento domiciliar. Ainda segundo o secretário, a mulher com cura clínica está internada, mas tem condições de receber alta.

"Apesar de ter passado um período na UTI, ela não se encontrava em situação de gravidade, foi muito mais para vigilância. Ela desenvolveu uma infecção associada, que é esperado que aconteça, foi tratada e está em condições clínicas de alta hospitalar", explicou o chefe do setor de Infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), Demétrius Montenegro.

A mulher de 66 anos e o marido de 71 moram no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. O casal havia retornado de viagem à Itália no último dia 29 de fevereiro e em 5 de março começou a manifestar os primeiros sintomas. O anúncio da confirmação dos primeiros casos em Pernambuco aconteceu em 12 de março, no dia seguinte à OMS mudar o status do novo coronavírus de epidemia para pandemia.

O casal também foi responsável pelo primeiro caso de transmissão local da covid-19 no Estado: a mãe da paciente curada. Houve ainda a suspeita de a empregada doméstica do casal, de 49 anos, moradora do bairro do Pina, também na Zona Sul do Recife, ter contraído o vírus, mas foi descartado posteriormente.

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