Incêndio atinge casas de comunidade em Peixinhos

No entorno um Conjunto Habitacional está sendo construído com parceria do projeto Minha Casa, Minha Vida

Filme "A Chegada"Filme "A Chegada" - Foto: Divulgação

“Aconteceu quando eu estava dormindo. Quando eu vi já estava pegando fogo, o meu barraco já estava queimando. Só deu tempo de tirar meus filhos mesmo. Depois eu fui ajudar minha colega que tem filhos aqui também. Ajudei a tirar o botijão, esse negócios, os meninos... Tinha outra moça ali que tinha acabando de ter neném, estava “pontiada” ainda. Foi tudo um ajudar o outro. Eu iria pegar mais o quê? Mais nada. Eu fui ajudar o pessoal”. Conta Raísa dos Santos, 21 anos, que perdeu tudo no incêndio que aconteceu na comunidade de Peixinhos (conhecida também como “Vila da Família”) por volta das cinco da manhã da última terça-feira (23).

Eventualmente trabalhando como diarista, Raísa tem dois filhos: um de três e outro de um ano e sete meses. Ela ainda não sabe o que vai fazer depois. Hoje, ela acredita que vai dormir na casa de algum parente. “Dormir, dá, né? Mas casa dos outros a gente não fica a vontade como na nossa”, comenta. Noel Rodrigues, 43 anos, também vai dormir na casa do irmão. Técnico de controle de pragas, ele estava trabalhando quando os vizinhos ligaram. “Quando eu cheguei, achei que tinha morrido gente, pela gravidade do incêndio”, disse. Não houve feridos, mas cerca de 100 famílias perderam tudo. “Mora aqui porque precisa mesmo, porque ninguém quer morar num lugar desses. É porque precisa, que o salário não dá”, desabafa Noel, que morava sozinho há três anos.

Morador há cinco anos no local, Ubirajara dos Santos Soares, 25 anos, catava cobre entre os entulhos. “É o pão de hoje”, comentou. Diversos outros moradores faziam o mesmo, um lugar para tirar o sustento de uma noite. Mostrando uma lata cheia, ele diz “daqui dá para tirar três reais”. Ubirajara tem uma filha de dois anos, que mora com ele, não tem certeza de onde vai passar a noite. “Nós precisamos da força de vocês todos agora. Não estou falando só por mim ou por outro morador, mas por todos. Nós não temos dinheiro para pagar casa, não. Eu trabalho puxando carroça, porque não tem trabalho em canto nenhum, não. Nós precisamos de uma casa, de um teto. Com um lugar para morar, nós não precisamos estar aperreando ninguém, não”, disse.

No entorno um Conjunto Habitacional está sendo construído com parceria do projeto Minha Casa, Minha Vida. Pessoas de outras comunidades vão morar lá. A Secretaria de Habitação informou que a organização dessas moradias fica por conta da Prefeitura de Olinda. Eles cuidam dos levantamentos, o último foi feito em 2014 nessa comunidade. Em nota, a prefeitura disse que foi realizado o “levantamento da situação para uma análise das informações e possíveis encaminhamentos a abrigos, auxílios moradias e inserção em algum programa habitacional e social, como emissão de documentos”. Mesmo assim, não foram informados os locais nem de abrigos, retirada de documentos nem de doações para os atingidos. O corpo de bombeiros usou 12 mil litros e sete viaturas para conter o incêndio. Supõe-se que a causa tenha sido um curto-circuito, mas não há confirmação. Moradores informam que outro incêndio já ocorreu ali há cerca de um ano. Segundo a Secretária de Habitação, o déficit habitacional em Pernambuco é 232.568 pessoas. Dia 03 e 16 dois outros incêndios acometeram as comunidade de Santa Luzia, na Torre e na comunidade do Coque, no bairro de Joana Bezerra, ambas no Recife e com suspeita de curto-circuito.

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