Incêndio atinge o Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista

Imagens publicadas nas redes sociais e transmitidas pela televisão mostram as chamas devorando todo o edifício onde foi assinada a Independência e, junto com ele, mais de 20 milhões de itens que contam a história do Brasil

Incêndio no Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa VistaIncêndio no Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista - Foto: Carl de Souza/AFP

Um incêndio de grandes proporções atingiu neste domingo (2) o Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Três viaturas do Corpo de Bombeiros foram enviadas ao local. O incêndio começou por volta das 19h30, por razões ainda desconhecidas, quando o museu já havia fechado ao público. Imagens publicadas nas redes sociais e transmitidas pela televisão mostram as chamas devorando todo o edifício e, junto com ele, mais de 20 milhões de itens que contam a história do Brasil.

"O maior acervo é este prédio, um palácio de 200 anos em que morou d. João 6º, d. Pedro 1º, onde foi assinada a Independência. A princesa Isabel brincava aqui, no jardim das princesas, que não está aberto ao público porque não tenho condições", disse, em maio. o diretor do museu, Alexander Kellner, 56, em entrevista à Folha de São Paulo.

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Com seguidos cortes no orçamento, desde 2014 não vem recebendo a verba de R$ 520 mil anuais que bancam sua manutenção e apresenta sinais visíveis de má conservação, como paredes descascadas e fios elétricos expostos. Seu acervo, com mais de 20 milhões de itens, tem perfil acadêmico e científico, com coleções focadas em paleontologia, antropologia e etnologia biológica. Entre eles, o mais antigo fóssil humano já encontrado no Brasil, batizada de "Luzia"

Incêndio no Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista

Incêndio no Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista - Crédito: Carl de Souza/AFP

Em maio, 10 de suas 30 salas de exposição estavam fechadas, incluindo algumas das mais populares, como a que guarda um esqueleto de baleia jubarte e a do Maxakalisaurus topai -o dinoprata, primeiro dinossauro de grande porte já montado no Brasil.

Para reabrir a sala, interditada havia cinco meses após um ataque de cupins, o museu armou uma campanha de financiamento coletivo na internet -a meta era arrecadar R$ 50 mil. Menos de 1% do acervo estava exposto. Entre os principais itens, o meteorito do Bendegó, o maior já encontrado no país, e a coleção de múmias egípcias, a primeira das Américas.

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Vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Museu Nacional, que completou 200 anos, era a mais antiga instituição científica do Brasil e um dos maiores museus de história natural e de antropologia das Américas. Localiza-se no interior do parque da Quinta da Boa Vista, instalado no Palácio de São Cristóvão, que serviu de residência à família real portuguesa de 1808 a 1821 e abrigou a família imperial brasileira de 1822 a 1889.

O palácio também sediou a primeira Assembléia Constituinte Republicana de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso do museu, em 1892. O edifício foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1938.

Foto da fachada do Museu Nacional e seu entorno

Foto da fachada do Museu Nacional e seu entorno - Crédito: Roberto da Silva

Acervo
A formação do acervo do Museu deu-se primeiramente pela transferência para sua sede, de instrumentos, máquinas e gabinetes dispersos em outras instituições, pela doação de objetos de arte e da Antiguidade pela família real, pelas coleções existentes na Casa dos Pássaros, pela coleção de mineralogia, conhecida como Coleção Werner, e por peças etnográficas provenientes das províncias do Brasil. Com um acervo cultural e científico relevante, era considerado o maior museu de história natural da América Latina.

Redes sociais
Ainda em choque, internautas comentaram a destruição do Museu Nacional ao logo de toda a noite. Pelo Twitter, o internauta @toni_1117 disse que era possível ver a fumaça da sua casa. "O principal museu do Rio de janeiro. O museu nacional da UFRJ tá em chamas nesse exato momento. Múmias, esqueletos, cerâmicas e outra diversas descobertas científicas e sociais. Uma grande perda. Dá pra ver a fumaça aqui de casa. Muito triste", publicou.

"É uma dor imensurável perder o Museu Nacional com todo seu patrimônio histórico, científico e arqueológico. Sem contar com nossa história quanto brasileiros... ai cara, eu to muito chateada mesmo", publicou @isabellalima_.

"Assisti uma palestra do diretor do Museu Nacional na quarta feira passada e dava pra ver a paixão que ele tinha pelo trabalho: História e paleontologia faziam os olhos dele brilharem. Esse incêndio é uma facada nas costas, imagino a tristeza em que ele tá. Que tudo dê certo", lembrou @MatheusVei_.

"O que está acontecendo hoje no Museu Nacional nada mais é do que a consequência do descaso que o governo brasileiro tem com cultura e educação no Brasil. É uma vergonha uma parte importante da nossa história ser perdida assim", criticou @deddy_love10.

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Incêndio atinge o Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista - Crédito: Twitter




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Incêndio atinge o Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista - Crédito: Twitter


 

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Incêndio atinge o Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista - Crédito: @anarina/Twitter

 

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