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Incêndio no Havaí: em busca por desaparecidos, equipes têm dificuldade para identificar mortos

Governador alerta que número de vítimas fatais pode dobrar nos próximos dias

Em busca por desaparecidos, equipes têm dificuldade para identificar mortosEm busca por desaparecidos, equipes têm dificuldade para identificar mortos - Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Encontrar os restos mortais das vítimas dos incêndios que atingiram o estado americano da Havaí é considerado um passo. Identificá-los, porém, é outro.

As impressões digitais já ajudaram a identificar alguns dos mortos, mas as autoridades terão que usar o DNA para identificar muitos outros, de acordo com John Pelletier, chefe do Departamento de Polícia de Maui. Cada um de seus nomes será tornado público somente depois que suas famílias forem notificadas.

O governador do Havaí, Josh Green, alertou que o número oficial de 99 mortos até o momento pode aumentar significativamente de acordo com o avanço nas buscas por desaparecidos. “Ao longo dos próximos 10 dias, esse número pode dobrar”, disse ele em entrevista à CNN. “Eu realmente não quero adivinhar um número porque nosso pessoal está trabalhando muito agora.”

As autoridades já têm 13 perfis de DNA de mortos e 41 amostras de DNA fornecidas por familiares que procuram parentes desaparecidos, disseram autoridades do condado de Maui nesta terça-feira. Membros de uma equipe federal de identificação de necrotérios também estão no local, ajudando as autoridades locais a identificar e processar restos humanos.

O prefeito Richard T. Bissen Jr., do condado de Maui, disse que 20 cães farejadores estavam ajudando dezenas de equipes a encontrar os corpos das vítimas. Até esta terça-feira, a maioria das áreas queimadas ainda não havia sido vistoriada.

“Gostaríamos de chegar a aproximadamente 85 a 90 por cento até este fim de semana”, disse o chefe John Pelletier do Departamento de Polícia de Maui. “Não há garantias de que sim.” Depois disso, ele disse, as equipes de busca voltariam mais sua atenção para a recuperação de corpos de prédios com vários andares – uma tarefa complicada que, segundo ele, poderia levar vários dias.
 

Funcionários disseram nesta terça-feira que identificaram uma quarta pessoa entre as 99 que foram confirmadas como mortas no incêndio que devastou a centenária cidade de Lahaina. Havia a expectativa de que os nomes fossem divulgados nesta terça-feira, o que não aconteceu.

A Agência Federal de Gestão de Emergências dos EUA (FEMA, sigla em inglês), já havia repassado quase US$ 2 milhões (R$ 10 milhões) para cerca de 1.200 atingidos pela tragédia até esta terça-feira, disse um funcionário da agência. Cerca de 3.400 pessoas solicitaram assistência, disse Keith Turi, vice-administrador associado para resposta e recuperação. Ele disse que a agência estimou que muito mais pessoas seriam elegíveis para se candidatar.

Turistas lotam hotéis
Depois que incêndios florestais devastaram partes da ilha havaiana de Mauí, um dos destinos turísticos mais populares dos Estados Unidos, autoridades alertaram os turistas para não viajarem para a região. Mas milhares continuando chegando aos resorts, irritando os moradores após a tragédia.

Muitos em Mauí dizem que a devastação mostrou o que é conhecido como os "dois Havaís" — um construído para o conforto dos visitantes e outro, bem mais difícil, deixado para os havaianos. Em uma das faces do Havaí, os moradores locais enfrentam uma grave crise habitacional. Muitos moram em casas modestas de um andar em bairros como Kahlui e Kihei, alguns em residências multifamiliares, com cada família separada por uma cortina ou uma parede fina de compensado.

Ter vários empregos é comum, disseram moradores à BBC, para arcar com o aumento crescente dos custos. Neste Havaí, os efeitos dos incêndios estão por toda parte. Em lojas e mercearias, moradores desabrigados buscam itens essenciais, e tentam substituir seus pertences perdidos com o pouco dinheiro que resta. Nos restaurantes, trabalhadores podem ser vistos nas cozinhas segurando as lágrimas e fazendo ligações para ajudar a coordenar os esforços de socorro.

No outro Havaí, dentro da praia de Wailea, em Mauí, condomínios fechados fazem fronteira com campos de golfe, conectados a hotéis de luxo. Dentro dos hotéis, funcionários prestativos oferecem aulas de surfe e refeições à beira da piscina.

No dia seguinte aos incêndios, um visitante da Califórnia perguntou se ainda poderia fazer sua reserva para jantar no Lahaina Grill, um restaurante em uma das áreas mais atingidas da cidade. Outros reclamaram que as atividades programadas na ilha, como passeios a cavalo e tirolesa, haviam sido canceladas.

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