Inclusão social ao pé do ouvido

Domingos Sávio comanda “Resgatando a Cidadania”, espaço da Rádio Folha para demandas de pessoas com deficiências

Domingos promove debate sobre política de inclusão, potencialidades, dificuldades e avançosDomingos promove debate sobre política de inclusão, potencialidades, dificuldades e avanços - Foto: Arthur Mota

Tratar de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência - e suas respectivas políticas públicas - com quem conhece de perto a carência de debates sobre o assunto. É com essa proposta que a Rádio Folha (96,7 MHz FM) apresenta, neste sábado (10), ao meio-dia, o programa “Resgatando a Cidadania”. O escrete, com uma hora de duração, é apresentado pelo radialista Domingos Sávio, 48 anos, cego desde nascença e idealizador do projeto.

A propriedade de Domingos no assunto vai muito além de sua condição física. O apresentador é músico da banda Luar do Sertão, formada só por cegos; uma das lideranças da inclusão no Brasil; e criador do Prêmio Microfone Braile, que reconhece personas importantes para questões de acessibilidade das pessoas com deficiência por meio radiofônico.

A família de Domingos sofre de uma doença hereditária, ainda sem cura - retinose pigmentar -. que afetou 17 membros, incluindo ele. Mesmo com dificuldades físicas, todos sempre participaram de atividades na roça. “Para poder andar pelo sítio peguei um pedaço de madeira e coloquei uma ponta de bala na extremidade. Isso era minha muleta. Assim reconhecia todo o espaço a meu redor”, lembra. “Minha família não sabia como cuidar de pessoas cegas e me deixava solto, muito por despreparo mesmo. No fim das contas foi bom, pois me tornei independente.”

De acordo com o Censo de 2010, 9,7% da população brasileira é formada por pessoas com deficiência visual. Em Pernambuco há 1 milhão e 400 mil cegos. Principalmente para eles, a informação chega, única e exclusivamente, pelos ouvidos. Apesar do número expressivo, são poucos os debates travados sobre acessibilidade e inclusão.

“Nos meus trabalhos eu via que nenhum lugar do Brasil tinha programas que dedicassem seu tempo a discutir a política de inclusão, as potencialidades, as dificuldades, os avanços”, pontua Domingos. “A ideia é abrir um espaço para mães, poder público, associações, artistas, cantores e pessoas que são ativistas dessa política de inclusão”, destaca o apresentador.

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