Internacional

Influentes senadores dos EUA criticam contatos do governo Biden com Maduro

EUA e Venezuela deixaram de ter relações diplomáticas em 2019, após os EUA não reconhecer a reeleição de Maduro

Joe BidenJoe Biden - Foto: Drew Angerer / Getty Images North America / AFP

Dois influentes senadores dos Estados Unidos, um democrata e um republicano, criticaram, nesta terça-feira (8), os contatos do governo do presidente Joe Biden com o do "ditador" venezuelano Nicolás Maduro, se opondo fortemente à retomada da importação de petróleo do país sul-americano pelos EUA.

O democrata Bob Menéndez, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, e o republicano Marco Rubio, vice-presidente do Comitê Seleto de Inteligência do Senado, manifestaram seu desacordo após saber da viagem de Biden à Venezuela no fim de semana, em meio a preocupações com o aumento dos preços do petróleo devido à invasão russa da Ucrânia.

Biden anunciou nesta terça um embargo à importação de petróleo e gás russo, intensificando as sanções ao governo de Vladimir Putin após o início da ofensiva contra Kiev. Porém, segundo Menéndez e Rubio, isso não justifica voltar a comprar petróleo da Venezuela.

Os Estados Unidos impuseram um embargo ao petróleo venezuelano em 2019, depois de não reconhecer a reeleição de Maduro em eleições questionadas pela comunidade internacional.

"Entendo as consequências econômicas que o presidente está tentando evitar para o povo americano. Compartilho dessa preocupação. Mas há lugares como México, Emirados Árabes Unidos, Canadá, além de produção nacional já autorizada, que devem ser capazes de reduzir as consequências da perda do petróleo russo", disse Menéndez à rede MSNBC.

"Não é preciso recorrer a um ditador", acrescentou, lembrando que Biden estendeu na quinta-feira o decreto que identifica a Venezuela como uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança nacional americana, base das sanções contra Caracas.

Em um comunicado na noite de segunda-feira, Menéndez considerou Maduro "um câncer" para a região das Américas e se opôs "clara e categoricamente" a qualquer iniciativa "que encha os bolsos dos oligarcas do regime de Maduro com dinheiro do setor petrolífero".

"As aspirações democráticas do povo venezuelano, assim como a determinação e coragem do povo da Ucrânia, valem muito mais do que alguns milhares de barris de petróleo", declarou ele, ressaltando que Maduro está sendo investigado por crimes contra a humanidade.

Rubio, um dos arquitetos da política de pressão máxima sobre Caracas por parte da gestão anterior, de Donald Trump, voltou a atacar o governo Biden nesta terça, após rechaçar no fim de semana a troca do petróleo de "um ditador assassino pelo petróleo de outro ditador assassino". 

"Este país não precisa de uma só gota do petróleo de Nicolás Maduro. Nem uma gota", afirmou Rubio em um vídeo postado em sua conta no Twitter.

"Importamos da Rússia 200 mil barris por dia. Podemos facilmente produzir isso neste país, sem ter que dar dinheiro que vai direto para o bolso" de Maduro, disse.

Rubio denunciou os "esquerdistas" que, segundo ele, cercam Biden e lamentou o fato de que aqueles que lutam pela liberdade da Venezuela tenham sido "abandonados e traídos".

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