Instituto Ricardo Brennand é um tesouro no coração da Várzea

Inaugurado em 2003, o espaço reúne um riquíssimo acervo que extrapola as fronteiras de Pernambuco e do Brasil

Visitantes no Instituto Ricardo BrennandVisitantes no Instituto Ricardo Brennand - Foto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

O desafio é conseguir percorrer os 77 mil m² de área construída. Além dos 18 mil hectares de terreno tomado por natureza, lagos artificiais e esculturas a perder de vista. Porque, desde a sua entrada, o Instituto Ricardo Brennand (IRB) faz jus à sua monumentalidade.

Que o diga o passeio estampado por palmeiras imperiais e a vista atípica da cena urbana. Com um verde por vezes movimentado pela presença de animais (aves exóticas, cisnes, patos, flamingos e gansos, entre outros). Desaguando no icônico Museu de Armas Castelo São João, primeira das estruturas que podem ser visitadas, cuja inauguração data de 2003.

Mas talvez a ideia de Ricardo Brennand tenha sido mesmo erguer o Instituto para ser visitado uma, duas, três e outras dezenas de vezes. Não só por sua extensão em tamanho, mas pela importância de cada peça levada para o espaço, que merece (precisa) ser apreciada sem moderação.

Fundado por ele em 2002, o Instituto Ricardo Brennand (IRB) é uma sociedade sem fins lucrativos. Conta com um Conselho Deliberativo composto por dez integrantes. Abriga um complexo de estrutura medieval que remete o visitante aos ares da Idade Média, do Brasil Holandês, dos vitrais de outrora e das cores sepulcrais dos castelos dos contos, dos filmes e da imaginação.

Do museu de armas à pinacoteca, da capela à galeria, dos jardins de esculturas à biblioteca. Esta tem mais de 60 mil volumes de material datado a partir do século 16. As terras do engenho São João, na Várzea, Zona Oeste do Recife, abrigam relíquias da arte e alçam a edificação a Patrimônio Cultural de Pernambuco. De interesse mundial, aliás, haja vista sua importância e reconhecimento além das fronteiras do Brasil.

A inauguração da pinacoteca trouxe o príncipe herdeiro da Dinamarca para visita ao IRB, que abrigou a exposição Albert Eckhout volta ao Brasil, com 24 telas pertencentes ao Museu Nacional daquele país e que, pela primeira vez, saiu dos domínios dos seus donos para a América.

Já a coleção pessoal das telas do pintor Frans Post perfaz uma mostra permanente abrigada no museu, visitada em 2003 pela então rainha Beatrix, da Holanda.

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Parceria com a educação

O IRB vai além da função de encantar apreciadores da arte e visitantes curiosos em ver de perto sua grandeza - mais de três milhões deles passaram por lá desde sua abertura.

Por sua arquitetura com vastidão de riqueza histórica e cultural, o espaço foi pensado, também, para receber estudantes ávidos em adquirir conhecimento, principalmente sobre a história do Brasil Holandês.

Um direcionamento que enchia de orgulho o seu criador, Ricardo Brennand, que proporcionou o acesso ao Instituto como uma via facilitadora para a construção de uma realidade sociocultural a pelo menos mais de 535 mil grupos oriundos de escolas públicas e privadas entre os anos de 2002 e 2018.

Oficinas de arte, em suas mais diversas linguagens, visitas mediadas, cursos de extensão, oficinas de férias e outras atividades variadas voltadas à formação estão entre as opções oferecidas pelo espaço, que também dispõe de cafeteria e de restaurante (Castelus).

"David", de Michelangelo, e "O Pensador", de Rodin
Em meio às paisagens naturais que cercam o Castelo São João, uma réplica da estátua de "David", do artista renascentista Michelangelo, pode ser apreciada por visitantes.

A peça, de mármore, localizada em um dos jardins da propriedade, ocupa um lugar que já foi de outro objeto que integra o acervo do IRB, a obra "O Pensador", de Rodin, feita de bronze e atualmente abrigada na Galeria do Instituto, aberta em 2011.

"A Dama e o Cavalo", de Botero, e o "Cachorro com Armadura"
Do figurativista colombiano Fernando Botero, o IRB reserva um espaço para "A Dama e o Cavalo", peça em bronze que integra o acervo que perfaz o caminho até o Castelo São João, espaço que tem, na entrada, uma das peças mais representativas do acervo, um cão empalhado cujas vestes se compõem de uma armadura, o conhecido "Cachorro com Armadura".

Espadas e fuzis
Assumidamente colecionador de armas brancas, Ricardo Brennand levou de sua coleção particular punhais, clavas, facas, canivetes e outras peças, totalizando mais de três mil. Entre os destaques, estão as espadas que foram do rei egípcio Faruk I e espingardas dos reis Dom Pedro I e II, da época do Brasil Império.

Mobiliário
Com origem predominantemente francesa e inglesa, o mobiliário do IRB também integra o acervo da coleção do Instituto, com aparadores, estantes, escrivaninhas e armários. Candelabros do século 19 e um órgão italiano produzido por Domenico Mangino em 1625 também enobrecem a coleção neste espaço.

Capela
A capela Nossa Senhora das Graças foi a última edificação pensada por Ricardo Brennand para o IRB. Erguida em 2014, em homenagem à sua esposa, Graça Maria Monteiro, o espaço chama a atenção pelo estilo gótico e suntuosidade das esculturas sacras em seu interior, além do verde que cerca a igreja e o lago que enriquece a paisagem à sua frente.

Com exceção do altar, advindo do barroco espanhol, a capela é composta por anjos, vitrais e iluminação, além de uma imagem suspensa em tamanho natural de Cristo, todos com assinatura de artistas pernambucanos.

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