Insumos para enfrentamento da Covid-19 tem alta acentuada nos preços

Alguns itens chegam a custam seis vezes mais do que o valor original. Dependência da China é motivo de crítica

Secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia e secretário de Saúde do Estado, André LongoSecretário de Saúde do Recife, Jailson Correia e secretário de Saúde do Estado, André Longo - Foto: Hélia Scheppa/SEI

A balança da oferta e da procura por insumos hospitalares durante a pandemia do novo coronavírus está maltratando os sistemas de saúde mundo afora. A China, maior exportadora dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), vê os pedidos de encomenda pipocarem e, diante disso, tornou-se inevitável não inflar os preços dos materiais.

Nesta quinta-feira (23), em entrevista virtual, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, deu alguns exemplos para se ter uma noção de como está esse mercado. Segundo ele, máscaras do tipo N95, as mais procuradas por oferecerem maior proteção aos profissionais de saúde da linha de frente de combate à Covid-19, antes eram compradas a menos de R$ 3. Hoje, custam R$ 19, mais de seis vezes o valor original.

O avental impermeável, outro item de suma importância para quem lida diretamente com pacientes portadores do novo coronavírus, triplicou de preço, passando para entre R$ 2 e R$ 3 para R$ 10. Já as máscaras cirúrgicas, mais simples, que antes custavam cerca de R$ 0,60, agora não saem por menos de R$ 2.

"Isso traz custo adicional aos cofres públicos”, pontoou Longo, dizendo ficar perplexo com os reajustes. O gestor da SES-PE é enfático ao afirmar que esta dependência de produção externa é uma das maiores lições deixadas por essa pandemia.

"É lamentável estar diante de uma escalada de preços nessa pandemia. É explicado pela demanda e concentração desses insumos em um país. "Se há uma grande lição com essa pandemia é que a industria nacional de insumos e equipamentos médicos precisa ser incentivada e valorizada para que a gente não fique de joelhos, pedindo, com nível de preços absurdos e que temos de pagar, pois é preciso para salvar vidas. Não podemos sair dessa pandemia sem aprender essa lição. Não podemos mais ficar dependentes de industrias internacionais para salvar vidas brasileiras. Os investimentos nas áreas de saúde e pesquisa precisam ser revistos. A balança comercial na área da saúde é vergonhosa. O Brasil é extremamente dependente do exterior”, criticou.

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O secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, diz que esse um dos principais problemas que dificultam a testagem mais ampla da população, causando uma subnotificação dos casos da Covid-19 no País.

"Muito se fala do Brasil não ter teste em massa, mas para isso é necessário equipamentos tecnológicos. O desinvestimento em saúde e tecnologia cobra um preço. Nesse caso, altíssimo. É preciso que isso seja uma lição, mesmo que duramente aprendida”, disse.

Além dos equipamentos laboratoriais, o Brasil tem dificuldade ainda em relação aos reagentes utilizados nos testes do tipo PCR (mais precisos), importados. Os kits de testagem rápida também são, em sua maioria, adquiridos junto à China.

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