Intolerância contra o PT chega ao Recife

Antes de João Paulo, os ex-ministros Guido Mantega e Alexandre Padilha também foram agredidos em restaurantes

A Grande MuralhaA Grande Muralha - Foto: Divulgação

João Paulo foi mais um petista agredido em recinto público por um adversário confesso do seu partido. Antes dele, os ex-ministros Guido Mantega e Alexandre Padilha foram hostilizados em restaurantes de São Paulo e o ex-senador Eduardo Suplicy numa livraria. Sem contar também a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), aliada dos petistas, agredida no aeroporto de Curitiba na semana passada quando aguardava um voo para Brasília. Esses são exemplos de intolerância que passaram a existir nos meios políticos em decorrência da Operação Lava Jato, lembrando que os intolerantes não são apenas os antipetistas. Petistas também têm dado provas de radicalismo em relação a seus adversários, conforme se viu, na semana passada, na Comissão de Educação do Senado. O senador Cristovam Buarque (PP-DF) foi obrigado a encerrar uma audiência pública porque uma claque do PT que estava lá passou a chamá-lo de “golpista”.

A agressão que o PT queria

A tentativa de agressão a João Paulo, a menos de mês das eleições, pode ser positiva para ele, eleitoralmente falando. Há precedentes que comprovam que as vítimas de agressão geralmente aumentam seus votos. Um deles teve como protagonista o então deputado Clodoaldo Torres, hoje secretário da prefeitura de Olinda. Ele foi o campeão de votos em 82 para a Alepe após levar um tiro no bairro de Afogados.

Unanimidade > Eduardo Cunha teve 16 dos 25 votos da bancada pernambucana quando se candidatou a presidente da Câmara Federal em fevereiro de 2015. Próxima segunda, quando for julgado pelos seus pares por quebra do decoro parlamentar, não terá nenhum. Todos dizem que irão votar a favor da cassação.

Apoio > O candidato do PR à prefeitura de Itapissuma, Clóvis Cavalcanti, que já foi prefeito duas vezes, conseguiu levar para o seu palanque Armando Monteiro (PTB) e Guilherme Uchoa (PDT).

Politização > Diego Brandy, o argentino que comanda a área de pesquisas do prefeito Geraldo Júlio (PSB), entende que a campanha precisa ser mais “politizada” para que o candidato cresça nas pesquisas.

Recepção > Raul Jungmann, ministro de Defesa, foi quem deu as boas vindas ao casal Michel/Marcela Temer quando ambos chegaram ao palanque oficial, no DF, para o desfile de 7 de setembro.

Ajuda > Após cobranças do diretório regional, o PSDB nacional liberou as primeiras ajudas para seus candidatos em Pernambuco. Daniel Coelho (Recife) recebeu R$ 1,4 milhão, Betinho Gomes (Cabo) R$ 250 mil e Izabel Urquiza (Olinda) R$ 122 mil. Raquel Lyra (Caruaru) será a próxima a ser contemplada.

Corte > Promessa número um do candidato Carlos Augusto Costa (PV), caso seja eleito prefeito do Recife: corte drástico no número de cargos comissionados. O Recife, diz ele, tem 5.572 (mais que o Governo do Estado), ante 1.700 de Fortaleza, 500 de Salvador e 400 de Curitiba, que são cidades do mesmo porte.

Marketing > Se João Paulo (PT) tivesse uma equipe de marketing mais eficiente, a tentativa de agressão de foi vítima, ontem, num restaurante de um shopping do Recife, teria ocupado todo o seu horário político das 20h30. Entre a hora da agressão e o início do programa passaram-se mais de 6 horas, o que significa dizer que houve tempo de sobra para que o filme fosse editado. Levar o caso ao ar, hoje, não terá o impacto que teria tido, ontem.

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