Rio de Janeiro

Investigação sobre morte de Marielle ajudou MP em operação contra Ronnie Lessa e Rogério Andrade

Provas foram compartilhadas também do processo que envolve o homicídio de bicheiro

Marielle FrancoMarielle Franco - Foto: Divulgação/Instituto Marielle Franco

As investigações da Operação Calígula, deflagrada na manhã desta terça-feira (10) pelo Ministério Público do Rio, demonstram que as tratativas para que o ex-sargento da PM Ronnie Lessa virasse sócio do banqueiro do jogo do bicho Rogério Andrade em um bingo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, começaram em abril de 2018, dias após o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. 

De acordo com a decisão do juiz Bruno Monteiro Ruliere, da 1ª Vara Criminal Especializada, provas do processo sobre a morte de Marielle e Anderson, assim como de outros procedimentos investigatórios desde 2014, foram compartilhados para a deflagração da Calígula.

Uma dessas ações penais foi a que ficou conhecida como Operação Intocáveis, que ocorreu em 2019 visando desarticular a alta cúpula do grupo de milicianos que atuava no bairro de Rio das Pedras, também na Zona Oeste da cidade. 

Na ocasião, 13 pessoas acusadas de integrar a organização criminosa foram denunciadas pelo Ministério Público. Um deles era o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Adriano da Nóbrega, considerado o principal chefe da milícia de Rio das Pedras e da Muzema.

Como o militar morreu num suposto confronto com policiais na Bahia, onde estava escondido, em fevereiro de 2020, ele não foi submetido ao tribunal do júri. Os demais foram condenados.

Ainda segundo o despacho do magistrado, o processo acerca do homicídio do bicheiro Fernando Ignnácio, genro e herdeiro do também contraventor Castor de Andrade, também teve provas compartilhadas com a Operação Calígula. O crime ocorreu em um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, também na Zona Oeste, em novembro de 2020. 

De acordo com as investigações, Fernando disputava desde 1997 pontos de jogos de bicho e de máquinas caça-níqueis com Rogério Andrade, sobrinho de Castor. A briga entre os dois teria começado após o assassinato de Paulo Andrade, o Paulinho, em 1998. Paulinho era filho de Castor e escolhido por ele para ser o herdeiro dos negócios ilícitos.

Na ação de hoje, o MP espera, além de desbaratar o esquema dos pagamentos de propina de Rogério Andrade, produzir também novas provas contra Ronnie Lessa, que está preso e será julgado pela execução de Marielle. 

A Operação Calígula visa o cumprimento de 29 mandados de prisão e 119 de busca e apreensão, incluindo os endereços de quatro bingos comandados pelo grupo. Pelos promotores, foram denunciadas 30 pessoas pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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