"Investiguem homicídio", diz Sanguinetti sobre morte de Morato

Médico enfatiza a ausência de secreções hemorrágicas na região facial

Filme "Rainha de Katwe"Filme "Rainha de Katwe" - Foto: Divulgação

O médico legista George Sanguinetti utilizou as redes sociais para criticar os procedimentos periciais da morte de Paulo César Morato, foragido da Operação Turbulência, que foi encontrado morto em um hotel, em Olinda, no dia 22 de junho. Na postagem, o médico defende a tese de homicídio, enfatizando a ausência de secreções hemorrágicas na região facial, e critica o modo como foram removidos, para análises posteriores, os dois copos e a garrafa de água presentes no local onde o corpo foi localizado. O técnico ficou conhecido nacionalmente por contestar os laudos técnicos da morte do tesoureiro da campanha presidencial do senador Fernando Collor de Mello (PTC), Paulo César Farias, em meados da década de 1990.

Sanguinetti, a exemplo do que já expôs anteriormente, disse acreditar que o corpo foi manuseado. “Vol­to a afirmar o manuseio do cadáver. A ausência de secreções hemorrágicas em redor da boca e nariz, de vômitos na fronha, roupa de cama, a posição, a limpeza cirúrgica indicam que o cadáver foi manuseado, preparado para ser encontrado. Investiguem o homicídio. A queima de arquivo”, registrou em sua página do Facebook.

Preservação

O legista questiona a preservação do material que será examinado. “Agora o inacreditável: o acondicionamento dos copos e da garrafa, transportado para o setor de perícia, foi feito de modo irregular, relapso, envolvidos em sacos plástico. Não permitiu, segundo divulgado, que fossem identificados digitais, traços ou fragmentos. Como justificativa ou desculpa, o fato de haver sido acondicionado em sacos plásticos. Tem conhecimento, os peritos, que a metodologia da coleta, acondicionamento e armazenamento de vestígios, determina preservar a integridade do material que será examinado, utilizando caixas de papelão, armações de madeira para acondicionamento de garrafas, copos, vidros em geral”, argumentou em sua publicação.

Simulações
Apesar de entender que houve falhas no transporte das evidências, Sanguinetti afirma ter realizado simulações que apontam para a possibilidade de preservação de impressões digitais mesmo no caso de acondicionamento de copos e garrafas em sacos plásticos. “Agora o mais importante: No nosso laboratório, pedimos a colaboradores que segurassem copos e garrafas. Em seguida agimos, como reprodução simulada, envolvendo todos com sacos plásticos e algumas horas após, examinamos em busca de digitais. Encontramos impressões digitais latentes, traços, fragmentos, com técnica simples em todos os copos e garrafas”, registrou o legista.

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