Irmãos são indiciados pela morte do empresário Sérgio Falcão

Jailson, 57 anos, e Jadilson Gomes de Melo, 63, ambos ex-policiais militares reformados, teriam matado vítima por dinheiro, conclui PC

Arma pertencente a Sérgio FalcãoArma pertencente a Sérgio Falcão - Foto: Divulgação/PCPE

A Polícia Civil (PC) de Pernambuco indiciou os irmãos Jailson Gomes de Melo, 57 anos, e Jadilson Gomes de Melo, 63, ambos ex-policiais militares reformados, pela morte do empresário Sérgio Falcão, que tinha 52 anos na época do crime, ocorrido no prédio onde a vítima morava em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, em 28 agosto de 2012. Jaílson era segurança da vítima e Jadílson teria emprestado a arma para ele cometer o assassinato, segundo a conclusão do inquérito, que foi apresentado nesta segunda-feira (28), exatamente cinco anos após a morte. Para a PC, a motivação teria sido financeira, pois um dinheiro sacado dias antes ao homicídio sumiu do apartamento de Sérgio.

O inquérito que indicia os irmãos por homicídio qualificado, descartando a versão de suicídio defendida pelos investigados, foi remetido pela delegada Vilaneida Aguiar, na última sexta-feira (25), ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). São nove volumes, com mais de 1.500 páginas. "Diante de outro laudo  [pericial], que afirmava que Jailson durante toda a sua encenação havia mentido, e mais outros indícios foi possível concluir como um homicídio qualificado”, explicou a delegada.

Segundo a PC, os resultados de duas perícias do Instituto de Criminalística (IC) divergiram. A primeira, realizada logo após o crime, apontou suicídio. A segunda, fruto de uma reprodução simulada, realizada dez dias depois, com a presença de Jailson, apontou homicídio. Um dos fatores que levou a essa conclusão é que Jailson disse que Sérgio, após o disparo na boca, deu dois passos e caiu no chão, mas esses passos não poderiam ter acontecido porque a bala atingiu a região neural que responde pelos movimentos do corpo.

Outro fator é que a vítima tinha uma arma própria e Jailson, na época do crime, declarou ter ido ao apartamento e lá o empresário subtraiu a arma dele para cometer o suicídio. Na casa do empresário, havia um revólver .38, e a usada no homicídio foi uma pistola .380, que, segundo a PC, era de Jadilson. A investigação também ponderou que, da forma que o disparo foi realizado, não poderia ter sido suicídio, pois a bala estaria no teto e não chão, onde foi encontrada.

O chefe da Polícia Civil, Joselito Kehrle, que esteve no local do crime na época, disse o suicídio foi descartado de pronto. "Primeiro porque alguém que faz a segurança de outro não chama socorro e foge do local sem sequer prestar assistência à suposta vítima. Segundo, por que [Jailson] levou a arma? Terceiro, por que a vítima, tendo um revolver em casa, iria subtrair a arma do segurança para atirar na própria cabeça? Essas são perguntas que não batem com a versão do Jailson de que fora suicídio”, comentou.

A motivação do crime, para a polícia, foi financeira. A viúva da vítima informou à investigação que sempre que o empresário realizava operações bancárias chamava Jailson para acompanhá-lo, pois eram transações com valores altos, geralmente mais de R$ 100 mil. "Dias antes do crime, foi feita uma transação e toda transação era feita na mesma mala, e essa mala foi encontrada vazia, o que é mais um indício que fora subtraída [a quantia], ai a vinculação e motivação do crime", explicou Kehrle.

O inquérito concluiu que Sérgio teria descoberto a subtração do dinheiro e chamado Jailson para prestar esclarecimentos, quando foi assassinado. Os irmãos estão sendo indiciados por homicídio qualificado em razão da quebra de confiança que existia entre o empresário e o segurança. Ainda segundo a polícia, Jadilson teria orientado o irmão a negar a propriedade da arma usada no crime e ocultar a motivação. O latrocínio foi descartado, pois não se comprovou o roubo do dinheiro. 

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