internacional

Israel assina acordo com Emirados e Bahrein na Casa Branca

Trump disse que cinco ou seis países adicionais seguiriam "muito em breve" o exemplo dos dois Estados do Golfo, sem especificar quais

Acordo entre Estados do Golfo na Casa BrancaAcordo entre Estados do Golfo na Casa Branca - Foto: ALEX WONG / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETT

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu assinou nesta terça-feira (15) acordos históricos com os Emirados Árabes Unidos e Bahrein que alteram a balança no Oriente Médio, sob apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interessado em se apresentar como um "pacificador", a sete semanas das eleições em que buscará o segundo mandato.

"Depois de décadas de divisões e conflitos, estamos testemunhando o amanhecer de um novo Oriente Médio", disse o presidente republicano durante uma cerimônia de grande pompa na Casa Branca. Trump disse que cinco ou seis países adicionais seguiriam "muito em breve" o exemplo dos dois Estados do Golfo, sem especificar quais.

Junto com ele, Netanyahu chamou os acordos de "um marco na história" e afirmou que o entendimento alcançado em Washington poderia "encerrar" o conflito árabe-israelense de uma vez por todas.

Por meio do acordo promovido por Trump, Israel estabelece formalmente relações diplomáticas com esses dois países árabes, a primeira conquista do gênero desde os tratados de paz com o Egito e a Jordânia em 1979 e 1994, respectivamente.

O líder israelense não poupou elogios ao "amigo" Trump, antes de se dirigir, em árabe, aos seus novos interlocutores: "Salaam Alaikum" (que a paz esteja com você). No entanto, ele não citou os palestinos, a maior ausência do evento, embora os ministros do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos tenham lembrado de sua causa.

O ministro das Relações Exteriores dos Emirados, Abdullah bin Zayed al Nahyan, comemorou "uma mudança no coração do Oriente Médio" e agradeceu pessoalmente a Netanyahu "por escolher a paz e impedir a anexação de territórios palestinos", ainda que o líder israelense afirme que essa medida foi apenas adiada.

O chefe da diplomacia do Bahrein, Abdel Latif al Zayani, por sua vez, defendeu claramente uma "solução de dois Estados" para encerrar o conflito entre Israel e os palestinos.

"Conquista de primeira classe"
Emirados e Bahrein, duas monarquias sunitas, têm em comum com Israel a animosidade a respeito do Irã, que também é o inimigo número um dos Estados Unidos na região.

Há muitos anos, vários Estados árabes petroleiros cultivam discretos laços com o governo israelense, mas a normalização das relações oferece amplas oportunidades, especialmente econômicas, a países que buscam superar os prejuízos provocados pela pandemia de coronavírus.

"É uma conquista de primeira classe", disse David Makovsky, do centro de estudos Washington Institute for Near East Policy. Segundo ele, para Netanyahu isto "não implica os mesmos riscos" enfrentados por Menahen Begin "quando deixou o Sinai" para o Egito ou Yitzhak Rabin quando aceitou negociar com Yasser Arafat a criação de um Estado palestino.

A "visão para a paz", plano apresentado no início do ano por Trump com o objetivo de resolver o conflito israelense-palestino, ainda está longe do sucesso. A Autoridade Palestina rejeita a iniciativa e nega a Trump o papel de mediador por ter tomado decisões favoráveis a Israel.

"Facada nas costas"
Os palestinos, que afirmam que receberam uma "facada nas costas" dos países árabes que aceitaram o acordo com Israel sem esperar a criação de seu Estado, convocaram manifestações. Dezenas de ativistas se reuniram para protestar em frente à Casa Branca durante a assinatura dos acordos.

O governo Trump sempre afirmou que desejava transformar a região com a aproximação de Israel e dos árabes em uma espécie de aliança contra o Irã. Os acordos antecipam uma mudança de cenário e parecem relegar a um segundo plano a questão palestina, como esperava a Casa Branca.

O ministro das Relações Exteriores dos Emirados, Anwar Gargash, disse que "um avanço estratégico" era necessário porque "a abordagem dos árabes de não ter contato com Israel" não "ajudou as aspirações do povo palestino".

De acordo com Makovsky, o Oriente Médio vira uma "nova região" na qual, em um fato inusitado, a Liga Árabe se negou a condenar a decisão das duas monarquias do Golfo.

"Os palestinos querem esperar e ver o que acontece nas eleições americanas, mas quando a poeira baixar eles devem repensar sua posição", disse.

Os acordos representam uma vitória para Netanyahu e aproximam Israel de seu objetivo de ser aceito na região.

Polêmica venda de aviões
Para Trump, que até agora tinha poucos resultados diplomáticos a oferecer aos eleitores, os acordos são um êxito reconhecido até pelos adversários democratas.

Desde o acordo entre Israel e EAU anunciado em 13 de agosto, seguido pelo anunciado com o Bahrein na semana passada, republicanos não poupam superlativos para elogiar sua ação e afirmam que ele merece o Prêmio Nobel da Paz.

Apesar das celebrações, algumas divergências surgiram sobre as condições do acordo com os Emirados. 

Trump afirmou, nesta terça-feira, que não teria "nenhum problema" em vender aviões de combate F-35 aos Emirados Árabes unidos, um caça que há muito tempo Abu Dhabi deseja para tornar-se uma potência militar regional.

Porém, esta é uma venda à qual Israel se opõe, o único país da região que possui esses caças americanos e que pressiona para manter sua vantagem tecnológica esmagadora em relação aos seus vizinhos árabes.

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