israel

Israel é alvo de críticas após confrontos na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém

O governo americano declarou-se "extremamente preocupado" e pediu moderação a ambas as partes

Israel é alvo de críticas após confrontos na mesquita de Al-Aqsa, em JerusalémIsrael é alvo de críticas após confrontos na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém - Foto: Ahmad Gharabli / AFP

A intervenção da polícia israelense na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, provocou, nesta quarta-feira (5), uma chuva de críticas internacionais e uma escalada de disparos de foguetes de Gaza e de bombardeios israelenses em meio às celebrações da Páscoa judaica e do Ramadã muçulmano.

A intervenção israelense dentro de um dos locais mais simbólicos do mundo para os muçulmanos terminou com 350 detidos, segundo a polícia, e 37 feridos, de acordo com o balanço do Crescente Vermelho palestino.

O movimento islamita Hamas, que governa a Faixa de Gaza, denunciou um "crime sem precedentes" e convocou os palestinos da Cisjordânia ocupada "a comparecerem em massa à mesquita de Al-Aqsa para defendê-la".

O templo fica na Esplanada das Mesquitas, o terceiro local mais sagrado do islã, em Jerusalém Oriental, o setor palestino da Cidade Sagrada ocupado e anexado por Israel. A Esplanada está construída sobre o que os judeus chamam de Monte do Templo, o local mais sagrado do judaísmo.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou sentir-se "impactado e consternado" com "a violência e as agressões" das forças israelenses dentro da mesquita, segundo seu porta-voz, Stéphane Dujarric.

O governo americano também declarou-se "extremamente preocupado" e pediu moderação a ambas as partes.

As forças de segurança de Israel entraram durante a noite na mesquita, "quebrando portas e janelas", quando os fiéis estavam no local para rezar, relatou Abdelkarim Ikraiem, um palestino de 74 anos que estava no templo.

Eles levavam "cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e bombas de fumaça, e agrediram os fiéis", declarou à AFP.

"Agitadores"
Em um comunicado, a polícia denuncia a ação de "vários jovens criminosos e agitadores mascarados, que entraram com fogos de artifício, pedaços de pau e pedras" na mesquita.

"Os líderes ficaram entrincheirados dentro da mesquita durante várias horas (após a última oração vespertina) para perturbar a ordem pública e profanar a mesquita, enquanto gritavam frases que incitavam o ódio e a violência", acrescenta a nota.

A polícia israelense divulgou um vídeo que mostra explosões do que pareciam ser fogos de artifício dentro do santuário e o que parecem ser pessoas atirando pedras.

Em outro vídeo da polícia, agentes da tropa de choque avançam em direção à mesquita e usam escudos como proteção aos disparos de foguetes.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as forças de segurança se viram "obrigadas a agir para restabelecer a ordem" frente aos "extremistas".

Comoção em países muçulmanos
O ministro palestino de Assuntos Civis, Hussein Al-Sheikh, afirmou que "o nível de brutalidade [da polícia israelense] exige uma ação urgente palestina, árabe e internacional".

A Jordânia, que administra os locais sagrados muçulmanos de Jerusalém, condenou o "ataque" à mesquita e pediu às forças israelenses que se retirem imediatamente do local.

A Liga Árabe, que organizou uma reunião extraordinária, acusou Israel, "potência ocupante", pela situação e alertou contra qualquer "provocação" que possa ferir "os sentimentos dos fiéis".

O Marrocos, que normalizou as suas relações com Israel no final de 2020, condenou "firmemente" a intervenção e apelou ao "respeito pelo estatuto jurídico, religioso e histórico" de Jerusalém e dos lugares sagrados.

Foguetes e bombardeios
Após os confrontos em Al-Aqsa, vários foguetes foram disparados a partir do norte da Faixa de Gaza em direção ao território de Israel, segundo jornalistas da AFP e testemunhos.

Em represália, o Exército israelense executou ataques aéreos contra o que afirmou serem instalações militares do Hamas na Faixa de Gaza, onde dezenas de pessoas haviam protestado horas antes.

Nesta quarta-feira à noite, outros dois foguetes foram lançados a partir de Gaza.

O Exército israelense indicou que um deles caiu do lado de Gaza e outro, "no setor da barreira fronteiriça" que separa os dois territórios.

O conflito israelense-palestino ficou ainda mais tenso nos últimos meses, após a posse, em dezembro, de um dos governos mais à direita da história de Israel.

A violência deixou quase 110 mortos desde janeiro e escalou no fim de semana passado, após uma calma relativa que era observada desde o início do Ramadã, em 23 de março.

Veja também

Quatro navios dos EUA encalham perto de cais temporário em Gaza
Gaza

Quatro navios dos EUA encalham perto de cais temporário em Gaza

Governo do Rio Grande do Sul sanciona lei que institui plano de reconstrução do estado
Rio Grande do Sul

Governo do Rio Grande do Sul sanciona lei que institui plano de reconstrução do estado

Newsletter