Qui, 11 de Junho

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Guerra no Oriente Médio

Israel e Hezbollah prosseguem com ataques após anúncio de Trump

Agressões não cessaram apesar da entrada em vigor de uma suposta trégua em 17 de abril

Pessoas se reúnem no local de um ataque israelense que atingiu as proximidades de um hospital na cidade de Tiro, no sul do Líbano, em 1º de junho de 2026Pessoas se reúnem no local de um ataque israelense que atingiu as proximidades de um hospital na cidade de Tiro, no sul do Líbano, em 1º de junho de 2026 - Foto: Kawnat Haju / AFP

Israel executou ataques noturnos no sul do Líbano que deixaram pelo menos seis mortos e o Hezbollah lançou projetos contra o país vizinho nesta terça-feira (2), apesar do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um compromisso para moderar as hostilidades.

Os combates entre o Exército israelense e o grupo islâmico apoiado pelo Irã começaram em 2 de março, quando o Hezbollah atacou o território de Israel como represália aos bombardeios do Estado Hebreu e de Washington contra Teerã que, em 28 de fevereiro, desencadearam uma guerra no Oriente Médio.

As agressões não cessaram apesar da entrada em vigor de uma suposta trégua em 17 de abril.

Na segunda-feira, Trump anunciou na rede Truth Social que esperava que Israel e o Hezbollah moderassem as hostilidades e afirmou que as duas partes se comprometeriam com um cessar-fogo efetivo.

O Hezbollah "concordou em parar de atirar contra Israel e seus soldados. Do mesmo modo, Israel entrega em parar de atirar neles. Vamos ver quanto tempo isso dura; tomara que seja pela ETERNIDADE!", escreveu o magnata.

O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que atua como intermediário entre o Hezbollah e Washington, terá a missão de garantir que o grupo respeite um “cessar-fogo geral” com Israel, afirmou um de seus assessores à AFP.


"Completamente louco"
Trump revelou que o compromisso entre as partes em conflito foi resultado de uma ligação telefônica "muito produtiva" com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Segundo o portal americano Axios, no entanto, o presidente chamou o chefe do Governo israelense de "completamente louco" e o acusou, durante uma conversa telefônica, de colocar em perigo as negociações com o Irã.

Teerã sofreu, durante as conversas indiretas com os Estados Unidos, que qualquer acordo para encerrar as hostilidades na região incluindo um cessar-fogo efetivo na frente libanesa.

Nesta terça-feira, Mohammad Jafar Asadi, vice-chefe do comando militar central do Irã, o Khatam al-Anbiy, afirmou que a retomada da guerra contra Washington é “inevitável”, segundo declarações divulgadas pela televisão estatal Irib.

“Os Estados Unidos desativaram nossa rendição completa, mas a nação iraniana nunca se renderá”, afirmou Asadi.

"Sem rendição, a guerra é desencadeada. Então, aguardamos. A guerra não nos assusta", completou o militar.

As declarações de Trump tiveram pouco efeito na frente da batalha libanesa.

O Hezbollah reivindicou nesta terça-feira um ataque com foguetes contra um tanque israelense em Hadatha, no sul do Líbano, e afirmou no Telegram que luta contra “o avanço das forças israelenses”.

O Exército israelense anunciou a interceptação de dois projetos, sem relatar feridos.

No Líbano, os ataques israelenses tiveram como alvo, durante a noite, diversos vilarejos no sul, segundo a agência oficial libanesa ANI.

A Defesa Civil do Líbano informou nesta terça-feira que um bombardeio contra uma localidade, Marwaniyeh, deixou ao menos seis mortos e três feridos em um edifício residencial.

Além disso, a agência ANI informou que um drone matou um dentista e seus dois filhos que viajavam de carro por uma estrada no sul do país.

"Linhas vermelhas no Líbano"
Israel intensificou as operações militares contra o Hezbollah nas últimas semanas, alegando que deseja proteger os habitantes do norte do país. Nesta terça-feira, emitiu uma nova ordem para a cidade de Nabatiye.

Além dos ataques aéreos diários, o Exército israelense efetua uma incursão terrestre mais profunda no Líbano desde o ano 2000, quando se retirou do país vizinho após 18 anos de ocupação.

Desde que o Líbano foi arrastado para o conflito regional em 2 de março, mais de 3.400 pessoas morreram e mais de um milhão foram deslocadas, segundo Beirute. O balanço do lado israelense é de 27 mortos: 26 soldados e um civil.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, recomendou na segunda-feira a continuidade das tropas das Nações Unidas no Líbano após a saída prevista, no fim de 2026, da atual força de manutenção da paz.

Nesta terça-feira, Washington recebe uma nova rodada de negociações entre emissários libaneses e israelenses, processo que tem a oposição do Hezbollah. Será a quarta reunião desde 2 de março entre representantes dos dois países, que não mantêm relações diplomáticas.

Israel já havia ameaçado na segunda-feira atacar o Hezbollah em seu reduto nos subúrbios do sul de Beirute, o que provocou pânico entre a população. Netanyahu alegou "repetições evidentes do cessar-fogo" por parte do Hezbollah e ataques contra seu país.

A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou que "cruzar as linhas vermelhas no Líbano (...) equivale a uma guerra direta".

A agência de notícias iraniana Tasnim noticiou na segunda-feira que Teerã decidiu romper o diálogo com Washington, em particular devido à intervenção israelense no Líbano, mas a informação não foi oficializada oficialmente.

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