EGITO

Israel veta ida de delegação ao Cairo para negociar cessar-fogo em Gaza

Decisão ocorre um dia depois de uma autoridade americana do alto-escalão afirmar à imprensa que o país havia 'basicamente aceitado' os termos para uma trégua temporária de seis semanas

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin NetanyahuO primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu - Foto: Bir Sultan / AFP

Em meio à crescente expectativa por um cessar-fogo em Gaza, o governo de Israel vetou a ida da sua delegação ao Cairo, onde a partes deveriam se reunir a partir deste domingo para negociar os termos de um possível acordo junto aos países intermediadores: Catar, Egito e EUA. A informação foi revelada pela rede americana CNN, que conversou, sob condição de anonimato, com uma autoridade israelense familiarizada com o assunto. Representantes do grupo terrorista Hamas estão neste momento na capital egípcia para discutir a trégua.

Segundo a fonte, o cancelamento da viagem ocorreu depois que o grupo terrorista, que governa a Faixa de Gaza, não ter respondido a duas exigências de Israel: uma lista de reféns que estão sob custódia, vivos e mortos, e a proporção de prisioneiros palestinos que deveriam ser deixar as prisões israelenses por cada refém libertado.

A decisão acontece um dia depois de um funcionário de alto-escalão dos Estados Unidos afirmar à imprensa americana que Israel teria "basicamente aceitado", a princípio, os termos do acordo. A proposta, apresentada anteriormente em Paris, prevê uma pausa de seis semanas nos combates e a libertação de 42 reféns em posse do Hamas em troca de prisioneiros palestinos em Israel.

Um dirigente do Hamas também havia confirmado, neste domingo, que o cessar-fogo temporário poderia ser alcançado dentro de poucos dias, caso Israel aceitasse as condições do grupo:

— Se Israel aceitar as exigências do Hamas, que incluem o retorno dos palestinos deslocados para o norte de Gaza e o aumento da ajuda humanitária, isso poderá abrir caminho para um acordo nas próximas 24 a 48 horas — disse o dirigente do Hamas, que não quis se identificar, mas segundo o qual o grupo também "está pronto para mostrar flexibilidade" em relação ao número de prisioneiros a serem libertados das prisões israelenses.

Ainda de acordo com a fonte, que fez parte das conversas a portas fechadas do governo de Israel, o veto à ida da delegação teria partido do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, junto com o diretor do Mossad, o serviço de inteligência israelense, David Barnea, um dos principais negociadores de Tel Aviv, após Barnea não ter recebido uma resposta do Hamas sobre as condições israelenses.

Na última quinta-feira, Netanyahu já havia delimitado os termos para uma trégua temporária de seis semanas durante o Ramadã, mês sagrado para o Islã, que iniciará em 5 de março (terça-feira). A expectativa era de que o acordo pudesse sair antes do período.

— Exijo saber com antecedência os nomes de todos os reféns que serão incluídos no esboço. Ainda não recebi uma resposta para as duas perguntas e é muito cedo para dizer, apesar de nossa disposição, se conseguiremos um esboço para uma libertação adicional nos próximos dias — disse o premier em discurso.

A CNN questionou uma autoridade do Hamas sobre a resposta do grupo às condições de Israel, mas não obteve resposta. Neste domingo, uma fonte do grupo fundamentalista já havia adiantado três pontos de atrito para um acordo: um cessar-fogo permanente, em vez de um temporário; a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza; e o retorno dos palestinos que foram deslocados do norte para o sul.

No ataque dos comandos do Hamas em solo israelense em 7 de outubro, cerca de 1.160 pessoas foram mortas, principalmente civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados israelenses. Depois de uma trégua no fim de novembro que permitiu a troca de mais de 100 reféns por 240 presos palestinos, Israel calcula que 104 — incluindo o brasileiro Michel Nisenbaum — ainda estão em Gaza, onde também estariam 32 corpos.

Apesar das negociações em andamento, houve bombardeios durante a noite nas cidades de Khan Younis e Rafah, no sul da Faixa de Gaza, de acordo com um correspondente da AFP. Segundo o governo do Hamas, no poder no enclave desde 2007, também foram registrados ataques aéreos em Jabaliya, Beit Hanoun, Zeitun e Tal al-Hawa, no norte.

Em quase cinco meses de guerra, as operações militares em retaliação ao 7 de outubro deixaram 30.410 pessoas mortas na Faixa, a maioria civis, de acordo com o último balanço do Ministério da Saúde do território. Apenas nas últimas 24 horas, 90 pessoas foram mortas, 14 delas membros da mesma família em um bombardeio em Rafah.

O conflito também causou uma catástrofe humanitária e a fome é "quase inevitável" para 2,2 milhões de pessoas, a grande maioria da população de Gaza, segundo Jens Laerke, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha). O Ministério da Saúde do Hamas relatou a morte de 16 crianças por "desnutrição e desidratação" nos últimos dias.

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