Ter, 14 de Abril

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METABOLISMO

Estudo mostra que jejum intermitente pode não ser aconselhável para adolescentes

Pesquisadores alemães observaram efeitos negativos de longo prazo no metabolismo de camundongos jovens

Jejum intermitente se popularizou no BrasilJejum intermitente se popularizou no Brasil - Foto: Freepik

Um estudo recente revelou que a idade tem impacto significativo nos resultados do jejum intermitente.

Pesquisadores alemães descobriram que a estratégia alimentar durante a adolescência pode ter efeitos negativos de longo prazo no metabolismo

O jejum intermitente frequente interrompeu o desenvolvimento de células produtoras de insulina em camundongos jovens.

As descobertas levantam preocupações sobre riscos potenciais para humanos. O estudo, realizado por cientistas da Universidade Técnica de Munique (TUM), do Hospital LMU de Munique e do Helmholtz de Munique, foi publicado no periódico Cell Reports.

"O jejum intermitente é conhecido por ter benefícios, incluindo acelerar o metabolismo e ajudar na perda de peso e no combate às doenças cardíacas. Mas, até agora, seus potenciais efeitos colaterais não eram bem compreendidos", diz Alexander Bartelt, pesquisador e professor na TUM.

De acordo com a pesquisa, o jejum melhora o metabolismo em camundongos mais velhos, mas não nos jovens.

 

Os pesquisadores estudaram três grupos de camundongos: adolescentes, adultos e animais mais velhos. Os ratos permaneceram sem comida por um dia e foram alimentados normalmente por dois dias.

Após 10 semanas, a sensibilidade à insulina melhorou tanto nos ratos adultos quanto nos mais velhos, o que significa que seu metabolismo respondeu melhor à insulina produzida pelo pâncreas.

Isso é essencial para regular os níveis de açúcar no sangue e prevenir condições como diabetes tipo 2.

No entanto, os ratos adolescentes mostraram um declínio preocupante na função das células beta, as células produtoras de insulina do pâncreas.

A produção insuficiente de insulina está relacionada ao diabetes e ao metabolismo interrompido.

"O jejum intermitente geralmente é considerado benéfico para as células beta, então ficamos surpresos ao descobrir que os ratos jovens produziram menos insulina após o jejum prolongado", explica Leonardo Matta, da Helmholtz Munich, um dos principais autores do estudo.

A equipe observou que as células beta nos camundongos mais jovens não amadureceram adequadamente.

"Nosso estudo confirma que o jejum intermitente é benéfico para adultos, mas pode trazer riscos para crianças e adolescentes", diz Stephan Herzig, professor da TUM e diretor do Instituto de Diabetes e Câncer da Helmholtz Munich.

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