João de Deus sob suspeita de lavagem de dinheiro

Movimentação de bancária de cerca de R$ 35 milhões na semana passada pode complicar situação de João de Deus

João de DeusJoão de Deus - Foto: Walterson Rosa/Folhapress/Arquivo

O Ministério Público de Goiás investiga se o médium João de Deus teria lavado dinheiro, segundo informações do promotor Luciano Meirelles. A suspeita da promotoria recai pela recente movimentação de cerca de R$ 35 milhões nas contas dele. João de Deus teria solicitado ao banco retirar tal quantia de uma aplicação, mas segundo seu advogado Alberto Toron, os recursos não teriam sido sacados.

Para Toron, a movimentação deve ser considerada “normal”. “O dinheiro não foi sacado, [ele] apenas baixou as aplicações”, afirmou. Com isso, “caiu por terra” a suspeita de fuga.”Não se lava dinheiro limpo, dele próprio, que estava no banco. Baixar aplicações não é lavar dinheiro. Depois, soube agora que apenas uma aplicação foi baixada e não todo o montante alardeado”, declarou.

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O advogado Ronivan Peixoto Morais Júnior disse que João de Deus poderia fazer movimentações financeiras, pois seus bens não estavam bloqueados. Para ele, a suspeita de ocultação de bens, como foi divulgado, pode ser um pré-julgamento do Ministério Público. “Qual o problema de alguém movimentar sua conta? Existe um bloqueio de bens dele?”, reagiu o advogado. “É um pré-julgamento que o Ministério Público está fazendo. Não sei qual o tipo de denúncia foi fomentada, mas certamente para tentar justificar o bloqueio de bens dele”.

O advogado também comentou sobre a investigação de suposta conivência de outras pessoas. “Por fim, não vi nas narrativas, mesmo as divulgadas na mídia, qualquer referência à participação de terceiros. Parece estar havendo um processo intimidativo indevido.” Para o MP, tais investigações somente serão incluídas após as denúncias de abuso e crime sexual serem apuradas.

Prisão domiciliar
Nesta segunda-feira (17), a defesa também entrou com um pedido de habeas corpus para transformar a decisão judicial de prisão preventiva em prisão domiciliar com tornozeleira. Segundo o advogado Alberto Toron, é preciso levar em conta a idade avançada e o estado de saúde de João de Deus.

O médium passou a noite do último domingo em uma cela de 16 metros quadrados com pia e vaso sanitário, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, denominado Núcleo de Custódia. O pedido de prisão preventiva se sustentou em 15 denúncias já formalizadas em Goiânia - todas por crimes sexuais.

Filha
Ronivan Júnior disse que teve acesso a vídeos e depoimentos de Dalva Teixeira, filha de João de Deus, que acusou o pai de abuso sexual e estupro. Segundo o advogado, a mulher chegou a pedir desculpas para o pai e negou as acusações. Ele disse que a mulher foi levada por pressão familiar a fazer as denúncias. Tanto Ronivan Júnior quanto Toron levantaram dúvidas sobre a credibilidade das mais de 330 denúncias de abuso sexual feitas contra João de Deus.

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