Jornada solitária: engenheiro sanitário recolhe lixo no Mar Mediterrâneo

Esse defensor da natureza também fica indignado com a reação de alguns veranistas, que lhe pedem que recolha seu lixo e o tratam como um “zaber” (lixeiro)

Mohamed Ossama Houij vai recolher lixo ao longo de 300 km de praias na Tunísia Mohamed Ossama Houij vai recolher lixo ao longo de 300 km de praias na Tunísia  - Foto: Fethi Belaid/AFP

Armado apenas com seus braços e com dezenas de sacos de lixo, Mohamed Ossama Houij avança pela praia de Nabeul, no norte de Túnis, determinado a completar seu desafio: percorrer 300 quilômetros a pé, em pleno verão, e limpar 30 praias no caminho. Em um relatório publicado em junho, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) considerava que “o mar Mediterrâneo se transforma em uma perigosa armadilha de plástico, com níveis recordes de poluição que põem as espécies marinhas e a saúde humana em perigo”.

Este jovem engenheiro sanitário de 27 anos iniciou seu périplo de dois meses no início de julho, com o objetivo de sensibilizar as autoridades e os veranistas sobre a importância de não transformar o mar em um lixão. Mohamed Ossama iniciou o projeto “300 Quilômetros” em Mahdia (leste) e vai terminá-lo na praia de Soliman, a 40 km da cidade de Túnis, após ter limpado tanto praias muito frequentadas quanto as mais escondidas. “Acredito no poder cidadão e escolhi agir de fora e sensibilizar as pessoas para o problema da poluição das nossas praias”, explicou à AFP.

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Além de sonhador, Mohamed Ossama é realista. “A ação de 300 quilômetros não é realmente a de limpar, porque sei que sou apenas uma gota d’água no oceano. Mas quero sensibilizar as pessoas para este problema. Quero que comecem a se dizer: ‘Espera, não é normal todas essas garrafas, estas tampas, todas estas sacolas de plástico’”, afirmou.

Na primeira praia limpa por ele, Houij calcula ter recolhido cerca de 100 quilos de lixo. Depois de 150 km de marcha e com cerca de 15 praias nas suas costas, “podemos falar de toneladas de lixo”, garante. Chocado com os restos de tartarugas - encontrou mais de 30 - e com as praias cheias de garrafas de plástico e de fraldas descartáveis, Mohamed Ossama faz uma lista de “todas as formas de poluição que estamos fazendo o mar sofrer”. Esse defensor da natureza também fica indignado com a reação de alguns veranistas, que lhe pedem que recolha seu lixo e o tratam como um “zaber” (lixeiro).

As reações vão “de um extremo ao outro”, conta. “Há pessoas muito ativas, que estimulam você e te ajudam a limpar. Outras pessoas, infelizmente, matam qualquer vontade de trabalhar por esta causa”, acrescenta. “A cada dia você tem coisas ruins, mas há vontade”, assegura. “Não há motivos para que eu pare”, completa.

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