Jornalismo centenário em exibição na Galeria Baobá

Mostra que celebra jornais do Brasil e de Portugal está disponível na Fundaj de Casa Forte; a exposição é uma viagem pela história da notícia

Exposição de jornais centenários luso-brasileiros na Fundaj (exposição jornais de Brasil Portugal). Exposição de jornais centenários luso-brasileiros na Fundaj (exposição jornais de Brasil Portugal).  - Foto: Paullo Allmeida / Folha de Pernambuco

A importância da comunicação foi o mote da abertura de uma exposição sobre jornais brasileiros e portugueses, que teve seu início nesta sexta-feira. O clima intimista da Galeria Baobá, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) de Casa Forte, recebe até o dia 17 de novembro a exposição “Jornais Centenários do Brasil e Portugal: um legado cultural”. A primeira edição e a edição mais atual de 18 jornais brasileiros e 34 portugueses levam o visitante para uma viagem no tempo, para quando a notícia se fazia apenas em texto. A Galeria que recebe a exposição funciona de segunda-feira a sexta-feira de 8h às 17h e nos fins de semana entre 13h e 17h.

Veículos do século XIX e do início do século XX representavam praticamente a única forma de acesso à informação para a população da época. Por isso, nos jornais são encontradas muitas notas sobre impostos, anúncios de compra, anúncios de venda e diversas outras informações que atualmente são mais raras nos veículos. O teor informativo, não crítico, era característica primordial dos jornais mais antigos.

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João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, salientou que quem passar pela exposição poderá apreciar as diferenças de diagramação com a virada do século. "A tipografia do título dos jornais centenários era muito similar. Era o que se tinha para trabalhar. Hoje, nós contamos com uma tipografia muito moderna. Portanto, eu acho que essa exposição tem muitas maneiras de ser vista. Tentar comparar os anos e começar a pensar que tem jornais em Portugal e no Brasil que possuem uma diferença de anos pequena e, talvez por isso, eles tenham um modo de informar muito parecido é uma delas", contou.

João ainda ressaltou que o objetivo da exposição é fazer com que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) fomente um projeto maior. "Queremos digitalizar todos os exemplares para que os pesquisadores e investigadores possam ter acesso aos jornais e aos fatos noticiados durante o tempo", explicou.

Antônio Campos, presidente da Fundaj, evidenciou que a exposição retrata a importância do jornalismo. "A Fundaj se sente profundamente honrada e alegre em abrigar essa exposição de grande importância cultural, jornalística e que mostra ainda o fôlego dos jornais impressos e dos digitais." Para ele, além de apresentar o trabalho da imprensa centenária entre os dois países, o evento é ainda prova da forte ligação entre brasileiros e portugueses.

"Isso aqui é um diálogo entre a imprensa portuguesa e a imprensa brasileira, nordestina e pernambucana, gerando aproximação entre dois países irmãos ligados pela língua portuguesa", explicou. Pernambuco conta com o jornal da exposição mais antigo, datado de 1825 o Diario de Pernambuco é o mais antigo em circulação da América Latina e de língua portuguesa.

Dividida em duas salas, o passeio pelos jornais centenários começa com os centenários "mais recentes" até os mais antigos, na segunda sala da galeria. Cristina Meira Lins, moradora da Zona Norte, elogiou o formato de apresentação da mostra. "Eles fizeram logo na entrada, de uma forma muito gentil, uma conexão entre o Brasil e Portugal, e a parte de arte também está muito bonita e atual. Com certeza irei indicar para amigos", comentou. A exposição ficará durante 31 dias disponível para visitação gratuita, com acesso pela entrada principal da Fundaj.

A abertura da exposição contou com diversos convidados como o diretor executivo da Folha de Pernambuco, Paulo Pugliesi, e vice-cônsul Geral de Portugal no Recife, Marco Ferreira de Melo. Marco enxerga a exposição como uma prova da cooperação entre os dois países. "É uma aproximação que já existe, sobretudo entre a imprensa pernambucana e de Portugal, que mostra que há uma parceria, colaboração ativa hoje de jornalistas de imprensa portuguesa e pernambucana, para desenvolver mais ainda a relação entre esses países", disse.

Miguel Gaspar, representante do Jornal de Notícias, de Portugal, contou sobre a sua experiência de acompanhar as mudanças dentro do jornal impresso para a era online. "Quando eu entrei no jornal, na década de 1960, ainda era máquina de escrever. Acompanhei o crescimento ao longo dos anos." Para ele, o jornalismo hoje é melhor e ainda assim é um indicativo da democracia. "O jornalismo tem que ser uma atividade defendida, preservada. O bom jornalismo é sinal de uma democracia saudável", explicou.

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