Jornalista agredida registra ocorrência contra policial no Arruda

Jornalista Maiara Melo formalizou queixa à Corregedoria da SDS e à Polícia Civil, contra um integrante da PM que deu um tapa em seu rosto

Jornalista levou um tapa no rosto e foi xingada por policialJornalista levou um tapa no rosto e foi xingada por policial - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

A jornalista da Folha de Pernambuco Maiara Melo, que afirma ter sido agredida fisicamente e verbalmente por um integrante da Polícia Militar (PMPE), prestou queixa à Corregedoria da Secretaria de Defesa Social e à Polícia Civil de Pernambuco. “Eu quero que ele responda administrativamente e criminalmente pelo que me fez. Ele não pode tratar torcedores dessa forma", disse a jornalista. Ela levou uma tapa no rosto e foi empurrada ao tentar socorrer uma amiga que estava passando mal por ter sido atingida por spray de pimenta, enquanto tentava entrar no estádio do Arruda, no último domingo (19). A corregedoria informou a Maiara que deve retornar o contato entre 15 a 30 dias, para ela levar outras testemunhas.

De acordo com a jornalista, ela e um grupo de amigas estavam na fila de acesso ao portão 7, na rua das Moças, quando a polícia começou a pressionar os torcedores. “Eles colocaram os cavalos para cima e as pessoas começaram a se apertar. Depois, jogaram spray de pimenta. Letícia começou a passar mal e assim que consegui, saí carregando ela até a barreira de contenção que a polícia monta com grades”, explicou. “Eu não conseguia respirar e não lembro de muita coisa. Só voltei à consciência quando estava na grade da contenção e Maiara estava pedindo para alguém pegar água”, ressalta Letícia, de 29 anos, analista de sistemas.

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Enquanto esperava, Maiara foi abordada pelo policial. “Ele chegou e pediu para que eu saísse. Expliquei que não ia, porque estava ajudando Letícia. Novamente ele pediu que eu saísse, porque eu estava tumultuando. Eu repeti que não sairia, que ela estava passando mal por causa do spray de pimenta que a polícia tinha jogado na torcida e que atingiu ela e crianças. Acho que isso irritou ele, porque foi quando partiu para as agressões”, lembra Maiara. “Ele puxou ela pelos braços. Outros torcedores falaram ‘deixa ela aí, que tá só ajudando’ e fecharam a grade. Maiara falou de novo que não ia sair. Nessa hora ele perguntou ‘Como é que é?’ e deu uma tapa com empurrão no rosto dela”, acrescenta Letícia.
“Eu comecei a chorar e a repetir que ele não estava acima da lei e que estava abusando da autoridade. Que ele não tinha o direito de me bater. E ele gritava que isso era para eu ‘aprender a respeitar homem, sua p...’. Foi horrível, muita humilhação. Lembro que vários policiais e torcedoras amigas minhas entraram no meio para separar a briga, mas eu já estava reagindo no automático, repetindo que ele não estava acima da lei. Se eu tivesse feito algo de errado, teria sido detida ali. Ele ainda desferiu outro tapa, mas bateu no peitoral de uma amiga. Vou até o fim para responsabilizá-lo." A PMPE, SDS e PC foram procuradas, mas não retornaram o contato até o fechamento desta edição.

 

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