RIO DE JANEIRO

Jovem que denunciou ter sido estuprada por PM vai prestar depoimento nesta quinta-feira (3)

Vítima só havia relatado o caso em um registro feito na 118ªDP (Araruama). Quatro policiais estão presos preventivamente

Corregedoria da PM prendeu quatro policiais no domingo Corregedoria da PM prendeu quatro policiais no domingo  - Foto: Reprodução de TV

Uma jovem, de 18 anos, que informou em um registro de ocorrência ter sido ameaçada e estuprada por um policial militar, no último dia 26, em Saquarema, na Região dos Lagos, vai prestar depoimento na próxima quinta-feira, na 124ªDP (Saquarema). A informação foi revelada, nesta terça-feira, pelo advogado Tiago Camarinha, que representa a vítima. Ela também deverá ser ouvida, nos próximos dias, pela Justiça Militar.

Segundo o advogado, será a primeira vez que a jovem prestará depoimento. Anteriormente, ela só havia relatado detalhes do estupro em um registro de ocorrência, feito na 118ª DP (Araruama). Em seguida, foi submetida a um exame de corpo de delito que conformou a violência sexual.

De acordo com Camarinha, o depoimento ocorrerá na 124ª DP por ser responsável pela área onde o crime aconteceu. A jovem havia registrado o fato em Araruama. A razão foi o medo dos quatro PMs que a levaram para um local deserto, com uma amiga, no último dia 26, quando um deles a teria violentado.

As duas foram retiradas de um bar por suspeita de tráfico de drogas e deveriam ser levadas para uma delegacia.

— Ela está com medo de sofrer algum tipo de represália. Foi muito corajosa em denunciar o crime que sofreu. Está na casa de parentes, não quer sair para rua — disse o advogado.
 

Quatro policiais militares, suspeitos de envolvimento no caso, tiveram as prisões preventivas decretadas pela Justiça Militar. Eles foram presos, nesta segunda-feira, por agentes da corregedoria da Polícia Militar. O órgão foi informado do estupro, na última sexta-feira, após a queixa da vítima na 118° DP (Araruama) e está investigando o caso através da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar.

 Alexsander Moreira de Simas, Diogo Viana Lourenço e Sanclair Marinho Antunes Corecha vão responder por omissão. Eles são suspeitos de nada terem feito para evitar o estupro. Já o cabo Gerson Jucá Rolim de Paula é suspeito de cometer a violência sexual.

De acordo com o registro de ocorrência feito pela jovem, após terem sido retiradas de um bar, em Bacaxá, distrito de Saquarema, ela e amiga ficaram por três horas em poder dos PMs. Em vez de serem levadas para uma delegacia, as mulheres foram transportadas para um local deserto. A vítima contou ter sido estuprada por 20 minutos, e foi xingada, algemada e ameaçada de morte pelo cabo Gerson Jucá Rolim de Paula.

Segundo o RJ TV, a mulher relatou que o agressor não usou preservativo e que ouviu de outro policial que "ele não perde essa mania", deixando a entender que o PM tem essa conduta rotineiramente. A jovem ainda afirmou que viu o policial que a estuprou usando cocaína dentro da viatura da PM.

Segundo o RJ TV, os quatro PMs já foram ouvidos pela Corregedoria. Principal suspeito, o cabo Gerson Jucá de Paula preferir exercer o direito de ficar calado. Alexsander Moreira de Simas confirmou a abordagem e disse que as mulheres foram levadas ao terreno baldio para indicar onde haveriam drogas escondidas. Ele disse, entre outras coisas, que não teria percebido nenhuma conduta suspeita do cabo.

Diogo Viana Lourenço disse não ter visto se o cabo Gérson de Paula ficou sozinho com uma das mulheres porque estava vasculhando o terreno a procura de drogas. Já o cabo Sanclair disse que as mulheres foram levadas de volta para o bar em sua viatura. E que no caminho, nada comentaram sobre o estupro.

Ao RJ TV, a defesa de Sanclair Marinho disse que ele estava em outra viatura e que não viu se o colega cometeu o estupro e que não está envolvido no caso. A defesa de Alexsander Moreira alegou que ele foi inocentado pela própria vítima e que está à disposição da Justiça. Já a defesa de Diogo Viana Lourenço informou que a prisão é prematura e desnecessária e que tem certeza que conseguirá comprovar a inocência do PM.

 Segundo o RJ TV, Gerson Jucá Rolim de Paula não teve a defesa localizada.

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