Jovem recorre ao MPPE contra acusações de assédio sexual

Jornalista diz que boato que ele estaria abusando de meninas se espalhou pelo WhatsApp

Planeta dos Macacos: a GuerraPlaneta dos Macacos: a Guerra - Foto: Divulgação

Um jovem que foi acusado de abusar de meninas vai recorrer ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) contra o que afirma ser um boato que se espalhou pelas redes sociais, principalmente pelo aplicativo WhatsApp. Ele chegou a ser ameaçado na rua por um homem não identificado.

O jornalista Diego Braga, de 29 anos, conta que registrou boletim de ocorrência contra o boato na Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife, na última quinta-feira (29), após passar por outras instâncias. "Na quarta-feira [dia 28], quando uma amiga me disse que estavam divulgando um texto me acusando de assediar mulheres em ônibus, junto com uma foto minha, procurei a delegacia, mas, como já era tarde, não consegui, pois já estava fechada. Fui à Delegacia da Mulher, em Santo Amaro, mas me disseram que lá só se atende mulheres. Terminei indo no DHPP [Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa], e lá fui informado que eles não poderiam investigar o caso", lembra.

Diego só conseguiu registrar o B.O. na Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos na quinta, mas foi informado que, por o boato ter se espalhado pelo WhatsApp, seria difícil rastrear a origem. "Disseram que iriam solicitar imagens das câmeras da área onde eu fui ameaçado e orientaram que eu evitasse ficar exposto. Também fui orientado a procurar o Ministério Público", afirma.

O jovem ligou para o MPPE nesta sexta-feira (30) para saber os procedimentos necessários, mas, como precisaria estar representado por advogado e apresentar uma carta registrada por ofício em cartório, só acionará o órgão na próxima segunda-feira (2). "Vou pedir que o MP intervenha para que as investigações sejam intensificadas", explica.

Investigações

O delegado de Repressão aos Crimes Cibernéticos, Derivaldo Lira Falcão, disse ao Portal FolhaPE que vai investigar a origem do boato sobre o jovem. "Vamos convidar as pessoas que receberam a mensagem para saber de onde veio e, assim, tentar chegar em quem começou a divulgar a mensagem", contou. Como a mensagem se espalhou muito rapidamente pelo WhatsApp, fica mais difícil, segundo o investigador, rastrear sua origem.

Ele ressaltou que, em casos como esse, é importante que a vítima procure uma delegacia o quanto antes. "Quanto mais rápido o fato for comunicado às autoridades, mais fácil de chegar à origem do boato", orientou. Disse, também, que, em casos como esse, quem espalha boatos também pode ser responsabilizado.

Derivaldo Falcão também questionou a origem do boato. "A pessoa que começou tudo isso, em vez de espalhar uma notícia pelas redes sociais, deveria ter procurado uma delegacia", apontou.

Entenda o caso

Diego Braga foi abordado na terça-feira (27), por volta das 8h, enquanto esperava um ônibus em uma parada da avenida Abdias de Carvalho. "Um homem de moto se aproximou e apontou o celular para mim. Pensei que ele queria fotografar algum anúncio que estava colado na parede, mas ele começou a esbravejar comigo. Sem entender, tirei os fones de ouvido e ele me acusou de ter abusado da filha dele. Disse que, 'se eu fizesse aquilo de novo', iria mandar me matar", lembra.

O jornalista conta que tentou argumentar com o homem, que estava de capacete. Perguntou quem eram ele e a filha dele, perguntou se ele queria ir a uma delegacia, mas não teve êxito. O homem deixou o local ainda o ameaçando. Diego diz ter visto, a uma distância, uma menina, também de capacete, aparentemente com cerca de 15 anos, na garupa da moto pilotada pelo homem que o abordou. "Na hora, não dei importância, deixei pra lá", disse.

Apenas na quarta-feira (28) à tarde, Diego recebeu uma mensagem de uma amiga avisando que tinha recebido, pelo WhatsApp, a denúncia contra ele. O texto, acompanhado de uma foto de Diego, dizia que ele estava "abusando de jovens mulheres dentro de ônibus" e informava até onde ele morava. "Precisamos parar esse safado", concluía a mensagem.

No mesmo dia, o jovem divulgou texto em sua conta do Facebook desmentindo o boato. A postagem já tem quase cinco mil compartilhamentos na rede social. "Ainda estou apreensivo e, ao mesmo tempo, indignado. Não fiz nada e ser acusado de um crime desse, em uma época em que tantos casos têm surgido, é preocupante. No bairro onde moro, ocorreram dois abusos recentemente. Se associam isso a mim e me veem na rua, posso apanhar", disse.

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