Jovens do boxe brasileiro desafiam campeões mundiais

Há 56 anos sem conquistar ouro na modalidade em Jogos Pan-Americanos, Brasil renova pugilistas e tenta surpreender

Beatriz Ferreira (esq) é esperança brasileira de medalha no boxe femininoBeatriz Ferreira (esq) é esperança brasileira de medalha no boxe feminino - Foto: Divulgação / CBBoxe

Em quatro finais nos Jogos Pan-Americanos de Lima e já com duas medalhas de bronze garantidas, o boxe brasileiro busca uma campanha histórica a partir desta quinta-feira (1º), quando começam as disputas pelo ouro no Peru. Desde a edição de 1963, o País não conquista mais de um ouro na modalidade.

O bom desempenho deste ano marca a chegada de uma nova geração de pugilistas (a média de idade dos finalistas brasileiros é de 22,2 anos), após conquistas de medalhas nas duas últimas edições de Jogos Olímpicos. Entre 1968 e 2012, o País passou em branco na modalidade, mas isso mudou a partir de Londres-2012.

Na Inglaterra, Esquiva Falcão (prata), Adriana Araújo e Yamaguchi Falcão (bronze) foram ao pódio. Quatro anos depois, no Rio de Janeiro, Robson Conceição levou o primeiro ouro olímpico brasileiro no esporte. Todos esses medalhistas migraram para o boxe profissional, abrindo espaço para nomes como Beatriz Ferreira, Keno Marley, Jucielen Romeu e Hebert Sousa. Esses são os quatro finalistas do País em Lima - maior número de atletas nacionais com vagas na decisão em 56 anos.

Keno Marley Machado - o nome composto é uma homenagem ao Grand Canyon e a Bob Marley -, 19, se destacou nos Jogos Olímpicos da Juventude do ano passado, quando ficou com a medalha de ouro. Nascido em Sapeaçu, cidade com menos de 20 mil habitantes na Bahia, ele honra a tradição de boxeadores do estado.

Na decisão da categoria 81kg do Pan, ele terá pela frente um representante de outra tradição de peso no boxe. Seu adversário será Julio César La Cruz Peraza, campeão olímpico no Rio e quatro vezes medalhistas de ouro em campeonatos mundiais (2011, 2013, 2015 e 2017). O confronto será o sexto da programação desta quinta (1), que começa às 21h (de Brasília). Duas lutas depois entrará em ação a paulista Jucielen Romeu, 23, que enfrentará a argentina Leonela Sánchez pelo ouro nos 57 kg.

A programação de sexta (2) repetirá duelos dos brasileiros contra atletas de Cuba e da Argentina. O baiano Hebert Sousa, 21, terá pela frente nos 75 kg o cubano Arlen López, outro medalhista de ouro na Rio-2016 e campeão mundial (2015). As maiores chances de título estão nos 60 kg feminino, com a baiana Beatriz Ferreira, 26, que enfrentará a argentina Dayana Sánchez. Apesar de competir sem restrições há apenas três anos, ela é o principal nome do boxe brasileiro atualmente.

De 2014 a 2016, Bia teve que cumprir uma suspensão em torneios da Associação Internacional de Boxe (Aiba) por já ter participado de evento de outra modalidade. No caso, o muay thai. Como já despertava a atenção da Confederação Brasileira de Boxe, logo que foi liberada ela recebeu convite para integrar o projeto Vivência Olímpica, iniciativa do Comitê Olímpico do Brasil durante a Rio-2016 para que jovens talentos tivessem contato com o mais alto nível de suas modalidades. Bia tornou-se sparring de Adriana Araújo, e com a passagem desta para o boxe profissional virou a principal aposta do país.

Todos os pugilistas que estão no Pan pertencem a uma seleção brasileira permanente, que treina em São Paulo sob o comando de uma comissão de quatro técnicos. Antes do embarque para Lima, a meta estipulada pelo treinador-chefe da equipe brasileira, Mateus Alves, era superar os dois pódios obtidos no Pan de Toronto-2015. O número total de medalhas chegará a seis, já contabilizados os bronzes de Flavia Figueiredo, 30, e Abner Teixeira, 22.

O bom desempenho no boxe vem no embalo da melhor participação do País no taekwondo, com 7 de 8 medalhas possíveis, 2 delas douradas. O Brasil também entrará com boas chances de medalhas em outras modalidades de combate: esgrima (com início no dia 5 de agosto) wrestling (dia 7), judô (dia 8) e karatê (dia 9).

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