Jovens investem em atividades extracurriculares internacionais

Em agosto, a preparação dos alunos da rede estadual se voltam para as Olimpíadas Pernambucanas de física

Os principais campeonatos escolhidos pelos alunos são de robótica e matemáticaOs principais campeonatos escolhidos pelos alunos são de robótica e matemática - Foto: Ed Machado

Os voos que partem do aeroporto Internacional dos Guararapes, no Centro do Recife, estão levando cada vez mais alunos para outros estados e até para o exterior para disputar campeonatos e participar de feiras científicas. Com uma rotina de estudos intensa, esses jovens gênios cada vez mais têm investido em atividades extracurriculares. A preparação dos alunos vai além do estudo para um campeonato específico, eles precisam paralelamente continuar se dedicando à escola regular e aprender a língua estrangeira do País sede assim que são aceitos nos eventos.

Em agosto, a preparação dos alunos da rede estadual se voltam para as Olimpíadas Pernambucanas de física, ao qual os melhores colocados ganharão destaque para a Olimpíada Brasileira de Física das escolas públicas. A rede estadual de ensino possui olimpíadas para quase todas as disciplinas.

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“Hoje em dia existem muitos concursos. Quando eu comecei a preparar os jovens para esse tipo de olimpíada, há mais de 12 anos, não existiam tantas possibilidades. Com uma rotina de estudos, eles podem ter mais oportunidades”, explicou Sandra Maria, que há mais de uma década treina estudantes para participar de olimpíadas e eventos internacionais. “Cada vez mais eu vejo professores que largam os empregos formais para serem treinadores desses pequenos gênios. Pernambuco é um polo em expansão”, disse.

De acordo com a Secretaria de Educação do Recife, em 2017, dois grupos de alunos saíram de Pernambuco para participar dos eventos no exterior e outros seis grupos com destino a outros estados brasileiros. Os principais campeonatos escolhidos pelos alunos são de robótica e matemática. Em julho deste ano, a equipe de oito estudantes da rede municipal de Recife participou do maior evento de robótica do globo e saiu classificada como a melhor equipe das Américas. Para se preparar para o desafio, o grupo precisou intensificar ainda mais a rotina de estudos, que a princípio era de 5h por dia e acabou passando para a dedicação a competição em horário integral.

O professor de matemática Edson Alves já levou os alunos duas vezes para Harvard, uma em 2015 e uma neste ano. Ele pretende continuar levando os jovens para participar desses eventos nas próximas edições. “São experiências únicas. Além de estudar uma língua estrangeira eles se dedicam aos estudos com números. Contribui tanto no desenvolvimento pessoal como no acadêmico”, contou. Segundo ele, os pequenos gênios chegam a estudar até 15 horas por dia. Com resoluções de questões e revisão de conteúdo diária, os alunos desenvolvem um cronograma de estudos rígido.

No Recife, um evento organizado pelo Espaço Ciência, traz alunos de todos os cantos do País para expor trabalhos desenvolvidos nas escolas. No ano passado, o Ciência Jovem reuniu um público de mais de dez mil visitantes. O grupo que ganhou como destaque de Pernambuco viajou em julho deste ano para representar o Estado em uma feira no Paraguai. Os estudantes do EREM Desembargador Renato Fonseca, desenvolveram uma pesquisa de campo sobre o mosquito Aedes Aegypti ainda em 2014. Visitaram casas, fizeram palestras e estudaram sobre as doenças transmitidas.

Criaram um aplicativo que denuncia os focos de dengue e já foram convidados a uma outra feira em 2018, desta vez no México. “Eles se dedicaram totalmente ao assunto. O fundo social do tema é o mais importante.”, contou a professora Jorgecy Cabral, orientadora dos alunos. O aplicativo foi desenvolvido pelo aluno Jeovani Cipriano, intitulado Caça ao Aedes em Jardim Brasil, o programa já tem mais de 4,5 mil downloads. “A nossa maior dificuldade foi mesmo aprender Espanhol. Passamos meses nos dedicando a aprender a língua para conseguir apresentar o App no Paraguai”, explicou Jeovani.

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