Judeus celebram novo ano: o 5777

Os residentes no Estado celebram a chegada de um novo ano com rituais milenares

Essa é sua morte: O Show Essa é sua morte: O Show  - Foto: Divulgação

Enquanto a maior par­te dos pernambucanos enxerga no dia de hoje apenas mais um domingo entre tantos outros, cerca de 2,5 mil pessoas vivem um dos momentos mais importantes do ano. Isso porque as escrituras sagradas judaicas indicam que há exatos 5777 anos, Deus terminava de criar o universo e dava origem ao ser humano que deveria seguir seus ensinamentos.

Diferente do calendário gregoriano, o do povo de Israel designa este domingo para iniciar mais um ciclo. Durante o pôr do Sol, os judeus desejarão “Shaná Tová Umetuká” e comemorarão um novo ano. Os próximos dias serão de orações e contemplação.

Dez dias antes do Rosh Hashaná, como é chamado o ano novo em hebraico, os judeus residentes em Pernambuco já começam a fazer três rezas diárias a Deus (HaShem) pedindo perdão pelos erros cometidos ao longo do ano e, no entardecer do domingo, agradecem pelo novo tempo. Mesmo para quem é menos ortodoxo, um jantar nesta noite é um hábito tradicional e cheio de significados.

Aleksandra Serbim é hoje a matriarca de uma família que se refugiou no Brasil devido à perseguição comunista na Europa na década de 1910 e que foi obrigada pela Santa Inquisição a negar a própria fé. Luta pela preservação da cultura judaica e faz questão de preparar a ceia especial para a família.

“Chamamos o jantar de Seder. É um momento em que cada alimento tem um significado. Temos cabeça de peixe, que trás espírito de liderança e o Challah, o nosso pão, redondo para representar o ciclo da vida”, explicou, antes de começar os preparativos na sexta-feira. Já que, no sábado, os judeus não devem trabalhar. Neste domingo (2), ela se reunirá com os três filhos e com o marido, Idalécio Soares.

Na segunda (3), entre várias orações na Sinagoga, ouvir o toque do Shofar, um instrumento de sopro feito de chifre de carneiro, é obrigação segundo a Torá. Entre as rezas da manhã e da tarde, uma pausa para o Tashlich, uma oração em um espaço aberto e com água.

“Estamos em um processo de expiação dos pecados. Nos reunimos na frente de um rio, lago ou do mar para uma pequena reza para nos livrar de todos os resquícios que ficaram do último ano”, explicou o presidente da Associação Sefaradita de Pernambuco (ASPE), Jefferson Lincon.

No Tashlich, os judeus, simbolicamente, sacodem a poeira que estavam nos bolsos. “É um gesto também para entendermos a importância da humildade”, completou.

Ano de paz
O ano de 5777 começa com um pedido de paz por parte da comunidade judaica. Na última sexta-feira, durante o funeral do ex-presidente israelense Shimon Peres, uma cena rara foi vista sob uma tenda instalada para receber líderes mundiais. Adversários de longa data nos conflitos do Oriente Médio, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Palestina, Mahmud Abbas, apertaram as mãos durante um rápido encontro. 

“É bom te ver”, chegou a dizer o palestino. O ato foi visto com alegria pela ASPE. “Ficamos muito abalados com a morte de Peres, mas entendemos que até as notícias ruins mostram os desígnios de Deus. Que este gesto represente o início de um ciclo de Paz para todo o mundo”, afirmou Jefferson.

Os símbolos e os rituais da festa
Os judeus constituem apenas cerca de 0,15% da população pernambucana. De acordo com o IBGE, apenas quatro cidades têm mais de cem deles: Recife, Jaboatão dos Guararapes, Caruaru e Petrolina. Nas cidade longe do mar, o Tashlich pode ser realizado em frente a outras fontes d’água. Em situações extremas, mesmo um balde com o líquido pode representar a purificação buscada.

De acordo com a doutora em história judaica pela UFPE Tânia Kaufman, o Rosh Hashana é uma festa importante porque assegura a unidade e a coesão dos judeus espalhados em todo o mundo. “É a ‘cabeça do ano’, o Dia do Juízo Final. Inicia um período de dez dias que termina no Yom Kipur, “dia do perdão”, explicou. “Como uma contabilidade da alma, nestes dias conhecidos como ‘temíveis’, invoca-se a possibilidade de olhar o ano que termina, refletindo sobre falhas individuais e comunitárias.” 

Kaufman explica ainda que a simbologia do Rosh Hashana é vasta. A cor branca é utilizada no período, representando o desejo de purificação. As comidas são muito doces. “É comum servir maçãs vermelhas mergulhadas no mel desejando que o ano seja para nós doce como ela.”

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