Julgamento decide se processo do caso Patrícia Wanderley vai a júri popular

Morte aconteceu em novembro de 2018 quando ex-marido colidiu o veículo que conduzia contra uma árvore no bairro da Boa Vista

Justiça decide se feminicídio de Patricia Wanderley vai a júri popular. Na foto, Fernando Wanderley (irmão da vítima) e Teresa Wanderley (mãe da vítima).Justiça decide se feminicídio de Patricia Wanderley vai a júri popular. Na foto, Fernando Wanderley (irmão da vítima) e Teresa Wanderley (mãe da vítima). - Foto: Arthur Mota/ Folha de Pernambuco

A Primeira Vara do Tribunal do Júri da Capital recebe, na manhã desta quinta-feira (16), a primeira audiência para julgar a acusação de feminicídio de Patrícia Wanderley, de 46 anos. O julgamento, no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na Joana Bezerra, área central do Recife, vai decidir se o processo irá ou não a júri popular.

A morte de Patrícia aconteceu em novembro de 2018, quando o ex-marido dela, Guilherme de Lira Santos, de 47 anos, colidiu o veículo que conduzia e em que o casal estava contra uma árvore na Rua Fernandes Vieira, na Boa Vista, Centro do Recife. De acordo com a Central de Inquéritos do Ministério Público, a arma escolhida para executar o crime foi o carro, não havendo nenhuma tentativa de desvio ou sinais de freio. A vítima estava sem cinto e não resistiu à colisão; o homem saiu ileso.

Leia também:
Carro de casal colide com árvore e mulher morre
Acidente que causou morte de mulher pode ter sido intencional
Marido teve intenção de matar, diz polícia


Apesar do sofrimento, a família de Patrícia espera que a justiça seja feita. Fernando Wanderley, 37, irmão da vítima, conta que é difícil não encarar o caso como assassinato. “A gente queria acreditar que foi um acidente, mas tudo está caminhando para configurar o assassinato”

O inquérito informa que a Polícia Civil alterou a qualificação criminal de homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, para homicídio doloso duplamente qualificado, por motivo torpe e feminicídio, quando há intensão de matar. Na audiência, a defesa de Patrícia apresenta testemunhas. Do lado do acusado, foram cinco, mas algumas foram dispensadas.

A audiência marca o primeiro encontro entre a família de Patrícia e o acusado, Guilherme. Para o irmão da vítima, “a sensação é muito dolorosa, a família está em pedaços, muito dolorida. Para enfrentar essa situação, temos que nos agarrar à verdade”.

O advogado de defesa, Carlos Sá, sustenta a inocência do acusado e afirma que a expectativa “é de que Guilherme tenha a oportunidade de dar a versão dele”. Segundo lele, houve um acidente de trânsito e "as imagens gravadas demonstram isso". O advogado informa que entrará novamente com um pedido de liberdade - Guilherme de Lira Santos está detido no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife. No dia 18 de dezembro do ano passado, o acusado foi a julgamento de habeas corpus, que foi negado.  

Patrícia Wanderley deixou dois filhos, um menino de 14 anos e uma menina de 12 anos. A guarda dos adolescentes está com a avó, Teresa Wanderley, de 68 anos, que diz se sentir fragilizada constantemente. “É uma situação que quero abraçá-los. Minha realidade agora são meus dois netos”

Veja também

Secretário de Saúde de Pernambuco critica entraves diplomáticos que afetam vacinação no Brasil
Covid-19

Longo critica entraves diplomáticos à vacina: "Não podem colocar em xeque a saúde dos brasileiros"

Mega-Sena acumula e prêmio vai para R$ 22 milhões
Economia

Mega-Sena acumula e prêmio vai para R$ 22 milhões