Júri de Claudio Amaro: defesa aposta em falta de provas, mas acusação tem certeza da culpa

O julgamento, que acontece no Fórum de Jaboatão, pode durar até sexta-feira, mas a expectativa é de que acabe na quarta-feira (12)

Julgamento dos acusados de matar Artur EugênioJulgamento dos acusados de matar Artur Eugênio - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Começou o julgamento de dois dos cinco acusados pela morte do médico Artur Eugênio de Azevedo Pereira, assassinado em maio de 2014, após ser sequestrado e ter sido executado às margens da BR-101, em Jaboatão dos Guararapes, onde o corpo foi encontrado. O carro dele foi encontrado na mesma rodovia, no bairro da Guabiraba. Nesta segunda-feira (10) enfrentam o júri Claudio Amaro Gomes, 60 anos, ex-médico que teve o diploma cassado em abril deste ano e apontado como mandante do crime, e Jailson Duarte César, suspeito de ser intermediário para contratação e demais contatos com os executores.

O julgamento pode durar até sexta-feira, mas a expectativa é de que acabe na quarta-feira. A sessão, presidida pela juíza Inês Maria de Albuquerque Alves, acontece no Fórum de Jaboatão, bairro da Muribeca. O júri final é composto por seis homens e uma mulher.   

Daniel Lima, assistente de acusação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), disse que acredita na culpa de Cláudio Amaro. "Nós temos certeza de que eles são os autores intelectuais do crime. A prova cabal é motivação. Quais motivos Cláudio Amaro Júnior teria para matar dr. Artur se eles não se conheciam, nunca sequer se falaram?", questiona o advogado.

"Durante um mês, pai e filho nunca trocaram uma ligação. Exatamente no dia do assassinato, Cláudio Júnior liga para o pai e ele está no Hospital Português. Dr. Artur está lá no hospital. Depois, às 22h, ele liga novamente para o pai e está na Guabiraba, ao lado de onde o carro de dr. Artur foi encontrado queimado. Ou seja, eles fizeram contato antes e depois do crime. Isso não é coincidência", revelou Daniel Lima.

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Bruno Lacerda, advogado de defesa, acredita que se chegue já neste primeiro dia a uma absolvição de Cláudio Amaro por falta de provas. "Cláudio Júnior viu duas situações de hostilidade da vítima contra o pai e decidiu sozinho fazer o que fez. Ele vai ser chamado para depor aqui", resumiu.

Os pais da vítima, junto com amigos e familiares, vestiam uma camisa que estampa a foto de Artur Eugênio e frases pedindo justiça. "É uma dor muito grande. Mas confiamos em Deus e acreditamos na justiça da terra. Os culpados serão punidos conforme a lei. É horrível ficar cara a cara com o monstro que mandou matar meu filho e que ainda chora por compaixão", desabafa o pai do médico, Alvino Azevedo.

"Arthur não comentava nada com ninguém sobre essas atitudes de Cláudio Amaro. Só dizia que não dava para trabalhar com ele. Meu filho era muito ético. Eu dizia sempre pra ele que quem segura o ser humano são três pilares. Tem que ser honesto, trabalhador e organizado. Quando ele começou a desenvolver esse trabalho, ele foi de encontro a um marginal que é contra tudo isso aí que ensinei, e despertou a inveja. Começou a cavar a própria sepultura", completou Alvino. Ele disse ainda que Cláudio Amaro "fazia as falcatruas dele, usava material inadequado... Meu filho não aguentou e se afastou. Só acreditamos que a justiça na terra será feita. E a justiça divina ele ainda vai pagar".

Maria Evani de Azevedo, mãe de Artur Eugênio, bastante emocionada, disse que o neto ainda chama pelo pai. "Eu queria ter a oportunidade de perguntar a esse senhor se ele já amou na vida. Se ele conheceu o amor. Se ele sabe o que é tirar de uma mãe um filho. Se ele sabe o que é tirar um pai de um filho, que até hoje chama por ele. Se ele não queria matar meu filho, por que ele foi seduzi-lo em São Paulo, duas vezes, onde ele estava tão bem? Para trazer pra o Recife para matá-lo. Só clamamos por justiça. Nada traz a vida dele de volta, mas pelo menos acalma o coração da gente", disse, entre lágrimas.

"Dia 12 o filho de Artur completa seis anos e a cada dia fica esperando a volta do pai. Até no cemitério ele quis ir. Ele clama pelo pai. Eles se amavam demais. Por isso que eu queria perguntar a ele se ele sabe o que é o amor, pra ver se ele entende o que é essa ausência, essa dor", ressaltou Maria. 

Entenda o caso
O cirurgião Artur Eugênio foi sequestrado na porta de casa e assassinado com quatro tiros, no dia 12 de maio de 2014. O corpo dele foi encontrado no dia seguinte na BR-101, no bairro de Comporta, no município de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife (RMR).

Duas pessoas foram acusadas do crime: Cláudio Amaro Gomes, apontado como mandante, e Jailson Duarte César, suspeito de intermediar a contratação dos executores. Segundo a denúncia do MPPE, o crime teria sido motivado por desentendimentos profissionais entre Cláudio Amaro e a vítima.

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