Ter, 17 de Fevereiro

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Venezuela

Justiça argentina pede aos EUA extradição de Maduro por crimes de lesa humanidade

A medida foi determinada pelo juiz federal Sebastián Ramos

Líder do regime chavista, Nicolás Maduro foi deposto em ação militar dos Estados UnidosLíder do regime chavista, Nicolás Maduro foi deposto em ação militar dos Estados Unidos - Foto: Handout/Truth Social Donald Trump/AFP

A Justiça da Argentina solicitou aos Estados Unidos a extradição do ditador venezuelano Nicolás Maduro para que ele seja interrogado em um processo que apura supostos crimes de lesa humanidade cometidos durante sua gestão. A medida foi determinada pelo juiz federal Sebastián Ramos e deverá ser formalizada pela chancelaria argentina junto ao governo do presidente dos EUA, Donald Trump, segundo a imprensa argentina.

Na decisão, o magistrado ordenou o envio de um pedido formal às autoridades americanas "a efeitos de solicitar a extradição de Nicolás Maduro Moros", com base no tratado bilateral de extradição entre Argentina e Estados Unidos.

O caso teve início em 2023, a partir de uma denúncia apresentada por organizações não governamentais em nome de cidadãos venezuelanos.

A investigação envolve acusações de detenções ilegais, tortura, perseguição política e outros abusos contra opositores e manifestantes durante protestos realizados na Venezuela. Entre os investigados também estão o ex-comandante da Guarda Nacional Bolivariana Justo José Noguera Pietri e o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello.

De acordo com os denunciantes, haveria na Venezuela um "plano sistemático de repressão" em vigor desde 2014, com desaparecimentos forçados, tortura, homicídios e perseguição a dissidentes. Com base nessas alegações, a Justiça argentina já havia ordenado, em setembro de 2024, a captura internacional de Maduro e dos demais acusados.

Após a confirmação da detenção de Maduro durante uma operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano, em 3 de janeiro, o procurador federal Carlos Stornelli solicitou que a Argentina requeresse formalmente a extradição do ex-presidente para que ele seja ouvido no processo. Ramos acolheu o pedido.

A Argentina recorre ao princípio da jurisdição universal para investigar crimes de lesa humanidade cometidos fora de seu território. O país tem histórico nesse tipo de iniciativa, embora a maioria das ações contra líderes estrangeiros não tenha resultado em detenções ou extradições.

A decisão ocorre em um contexto de aproximação política do governo do presidente argentino, Javier Milei, com o governo Trump, após elogios de Milei à intervenção norte-americana na Venezuela.

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