Justiça decreta prisão de médico culpado por procedimento estético que resultou em morte no Recife
Adriana Soares Lima Laurentino fez procedimento de "harmonização de bumbum", mas não resistiu e faleceu horas depois
O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) determinou a prisão preventiva do médico Marcelo Alves Vasconcelos, responsável pelo procedimento estético no glúteo que resultou na morte de Adriana Soares Lima Laurentino, em janeiro de 2025. O mandado foi expedido no último dia 27 de março e o réu se encontra foragido.
A decisão foi emitida pela 3ª Vara do Tribunal do júri da capital, no Recife. Ainda que o caso corra em segredo de justiça, a magistrada reiterou a necessidade de preservar a ordem e a saúde pública, já que verificou a existência de continuidade delitiva, ou seja, quando um agente comete dois ou mais crimes da mesma espécie, em condições semelhantes de tempo, lugar e modo de execução.
O advogado da família de Adriana, Felipe Alef, esclareceu o trabalho por trás da determinação judicial.
"Já existe uma decretação da prisão preventiva por parte do Judiciário, especificamente pela 3ª Vara do Tribunal do júri da capital, em que verificou a existência, por parte do médico, de continuidade delitiva. Assim, a determinação judicial para prisão foi em conter essas condutas delitivas e pela ordem pública", disse o advogado Felipe Alef.
A decisão levou em conta a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que em maio do ano passado acusou o médico pelos crimes de homicídio doloso, por motivo torpe, e exercício irregular da profissão. No dia do procedimento, Marcelo Alves Vasconcelos não possuía registro regular no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).
No laudo médico produzido após a morte da paciente, foi identificada uma infecção urinária prévia, ocasionando uma infecção generalizada, além de uma embolia pulmonar. Conforme a acusação, de acordo com a versão apresentada pela família, o procedimento teria sido realizado com a utilização de polimetilmetacrilato (PMMA).
Como o caso aconteceu?
Segundo as investigações, Adriana viu um anúncio dos resultados do procedimento nas redes sociais. No dia 26 de dezembro do ano passado, entrou em contato com o médico, foi respondida pelos atendentes de Marcelo e marcou uma consulta, no valor de R$ 500, para o dia 10 de janeiro deste ano.
No ato da marcação, os atendentes informaram que os profissionais da clínica aplicavam, no mínimo, 180 ml em cada paciente, no valor de R$ 60 cada ml.
Ainda segundo o delegado, Adriana chegou a questionar a quantidade, por achar o quantitativo bastante elevado. Ela foi informada, no entanto, de que era o padrão e seriam somente 90 ml em cada glúteo, e que também passaria por uma avaliação do médico em consultório.
Após a avaliação, foi estabelecido que Adriana receberia 360 ml pelo valor de R$ 21 mil.
No dia 10 de janeiro, data em que realizou o procedimento, Adriana chegou à clínica, na Zona Sul do Recife, por volta das 9h e saiu de lá às 16h. Pouco depois, já começou a se queixar para o filho, à época com 18 anos, de fortes dores nos glúteos.
Cerca de 12 horas depois, por volta das 2h do dia 11 de janeiro, o filho de Adriana a encontrou já sem vida.

