Rússia

Justiça russa confirma condenação do opositor Navalny a nove anos de prisão

Navalny foi acusado, entre outras coisas, por uma fraude de milhões de rublos de doações para suas organizações de combate à corrupção

Opositor russo NavalnyOpositor russo Navalny - Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP

A justiça russa confirmou, nesta terça-feira (24), no julgamento do recurso, a condenação a nove anos de prisão em regime "severo" do principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, julgado por acusações de "fraude" e "desacato".

"O veredicto do tribunal de Lefortovo de 22 de março não mudou", declarou um juiz do tribunal municipal de Moscou, antes de informar que "entra em vigor imediatamente".

Na primeira instância, em 22 de março, o carismático ativista anticorrupção, que já cumpria uma pena de prisão em regime normal, foi condenado a nove anos de prisão em regime "severo", com condições mais duras. 

Navalny foi acusado, entre outras coisas, por uma fraude de milhões de rublos de doações para suas organizações de combate à corrupção

A pena inclui a aplicada em março de 2021 por "fraude", em um caso iniciado em 2014 e que envolve a empresa francesa Yves Rocher. 

Os advogados do opositor anunciaram imediatamente que apresentarão um recurso contra a sentença.

Alexei Navalny acompanhou a audiência por videoconferência na prisão de Pokrov, a 100 km de Moscou, onde cumpre sua primeira condenação. 

Ao ser convidado a falar antes do fim das alegações, o opositor não hesitou em suas palavras, apesar dos vários pedidos de ordem por parte do tribunal. 

"Desprezo seu tribunal, seu sistema", afirmou, antes de acrescentar que o julgamento "não tem sentido". 

"Certamente não quero estar em uma cela", disse. "Preferia ver meus filhos crescer, mas peço às pessoas que não tenham medo, ter medo é um crime contra o nosso futuro", acrescentou. 

Alexei Navalny foi detido em janeiro de 2021 ao retornar de Berlim, onde passou vários meses em recuperação depois de um envenenamento, que ele atribui ao presidente russo Vladimir Putin. 

O chefe de Estado da Rússia nega qualquer envolvimento e nenhuma investigação foi iniciada no país sobre o caso.

A detenção de Navalny marcou o início de uma grande repressão de todos os movimentos anti-Kremlin e meios de comunicação independentes na Rússia. 

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