Grécia

Kyriakos Mitsotakis, um conservador que apostou tudo na recuperação econômica

O líder do Nova Democracia (ND), primeiro-ministro de 2019 até ao fim de maio, irá reassumir o cargo de chefe de governo

Kyriakos Mitsotakis, líder do partido Nova Democracia, discursa após a vitória no segundo turno das eleições geraisKyriakos Mitsotakis, líder do partido Nova Democracia, discursa após a vitória no segundo turno das eleições gerais - Foto: Louisa Gouliamaki / AFP

Kyriakos Mitsotakis, que venceu com folga as eleições legislativas deste domingo (25) na Grécia, é um conservador que apostou na recuperação econômica de seu país, embora seja criticado por sua posição sobre a questão migratória.

O líder do Nova Democracia (ND), primeiro-ministro de 2019 até ao fim de maio, irá reassumir o cargo de chefe de governo, depois que seu partido obteve a maioria absoluta de 157 das 300 cadeiras do parlamento, segundo resultados parciais.

Durante sua campanha, Mitsotakis prometeu aumentos salariais, principalmente para a população de menor renda, principal preocupação dos gregos, em um contexto de custo de vida elevado.

O líder conservador também prometeu realizar contratações em massa no setor público de saúde, afetado por uma escassez grave de recursos desde a crise financeira e os programas de austeridade impostos a numerosos serviços públicos.

- Dinastia política de Creta -

Originário de uma dinastia política cretense, Kyriakos Mitsotakis é filho do ex-primeiro-ministro Konstantinos Mitsotakis (1990-1993). Sua irmã foi ministra das Relações Exteriores e um de seus sobrinhos é o atual prefeito de Atenas. Outro foi seu assessor até 2022.

Formado na Universidade de Harvard, Mitsotakis fez carreira como consultor financeiro em Londres, antes de seguir o caminho político de sua família.

Deputado pelo ND pela primeira vez em 2004, o líder conservador atuou como ministro da Reforma Administrativa em meio à crise e aplicou cortes em massa de cargos no funcionalismo público.

Em 2016, um ano após a derrota de seu campo para a esquerda de Alexis Tsipras, foi eleito líder do Nova Democracia, antes de chegar ao poder, três anos depois.

- Recuperação econômica -

O primeiro mandato de Mitsotakis foi marcado pela recuperação de uma economia ainda convalescente, após anos de planos de austeridade drásticos, em que o país perdeu um quarto do PIB. No ano passado, o crescimento grego foi de 5,9%.

Em março passado, no entanto, o premier enfrentou uma onda de protestos inédita desde que chegou ao poder, devido a um desastre ferroviário que causou 57 mortes e foi atribuído a negligências no sistema de sinalização ferroviária.

Nascido em uma família política com grande patrimônio imobiliário, Mitsotakis é criticado por sua arrogância, principalmente por opositores, com destaque para o líder do Syriza (esquerda), Alexis Tsipras.

Nos últimos quatro anos, Mitsotakis deu uma guinada em matéria de segurança, ao reforçar o dispositivo policial. Seu mandato também foi marcado por escândalos, entre eles um de escutas ilegais envolvendo figuras políticas e jornalistas, por meio do programa espião Predator.

Onipresente nas redes sociais, o líder conservador teve uma política de comunicação agressiva, em um ambiente midiático caracterizado pela concentração dos principais veículos e canais de TV nas mãos de grandes grupos financeiros

- Rejeição a migrantes -

Mitsotakis enfrentou acusações recorrentes de devolução de migrantes para a vizinha Turquia antes de eles poderem apresentar um pedido de asilo em território da União Europeia (UE). Ele sempre negou esta prática, comprovada por vídeos e investigações detalhadas feitas por veículos internacionais.

Os quatro anos de Mitsotakis no poder foram marcados pelo retrocesso do Estado de Direito e da liberdade de imprensa. Desde o ano passado, a Grécia ocupa uma posição ruim neste quesito na UE, segundo o ranking anual da ONG Repórteres sem Fronteiras, atrás da Hungria e Polônia.

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