Tratamento

Leão Léo, do Parque Dois Irmãos, é diagnosticado com câncer

Diagnóstico é de uma neoplasia na região da gengiva abaixo do dente canino inferior esquerdo, além de um comprometimento das funções hepáticas

Leão Léo, do Parque Dois IrmãosLeão Léo, do Parque Dois Irmãos - Foto: Lu Rocha/Semas-PE

Léo, como é carinhosamente chamado o leão do Parque Estadual Dois Irmãos, foi diagnosticado com um tipo de câncer comum em felinos idosos, segundo informou a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas-PE) nessa sexta-feira (18).

O diagnóstico para Léo é de uma neoplasia (presença de células cancerígenas) na região da gengiva abaixo do dente canino inferior esquerdo, além de um comprometimento das funções hepáticas. 

O leão de Dois Irmãos, único leão sobrevivente da tragédia de Vostok, nos anos 2000, tem idade considerada avançada para os indivíduos de sua espécie: são 21 anos como uma das estrelas do zoólogico. As doenças estão ligadas à sua idade. 

Em outubro, Léo passou por uma bateria de exames depois de sofrer um sangramento na boca. Ele está aos cuidados de uma junta médica formada por 17 especialistas, ligados à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), instituições privadas e ao próprio Parque.

Segundo dados da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), os leões vivem, em média, até 12 anos em vida livre, e 20 anos em cativeiro.

“Léo já é um animal muito idoso e este tipo de câncer é associado à sua idade, conforme indicam as pesquisas científicas relacionadas aos felinos selvagens. Atualmente, a neoplasia é uma das principais causas de óbito de animais desse tipo sob cuidados humanos”, explica o veterinário e gerente técnico científico de fauna do Parque, Márcio Silva.

Ainda de acordo com Márcio, a doença não tem relação com o histórico de vida de Léo, considerado um animal com uma trajetória muito saudável, nunca tendo apresentado intercorrências. 

“Léo foi resgatado do circo com cerca de cinco meses, muito magro, assustado e com todas as garras retiradas. Mas, aqui, foi tratado, recuperou-se rapidamente, ganhou peso, desenvolveu comportamento social excelente com os tratadores, biólogos e veterinários. É um animal que teve uma vida muito saudável e repleta de carinho de todos que cuidaram dele nesse tempo. Tudo isso levou que ele alcançasse uma longevidade tão grande e infelizmente também desenvolvesse essa enfermidade”, pontuou o veterinário.    

O câncer que acomete Léo é considerado agressivo e não responde bem a tratamentos convencionais, como quimioterapia e radioterapia. A junta de especialistas também descartou a possibilidade de fazer uma cirurgia para remover o tumor, pois representaria a retirada de parte da mandíbula do animal. 

Isso inviabilizaria que o leão se alimentar sozinho, impossibilitaria o manejo dele no pós-cirúrgico e haveria um risco muito alto dele não conseguir retornar após aplicação da anestesia devido à sua idade avançada.

Tratamento 
Desde outubro, quando foram notados os primeiros sinais da existência de um problema e a realização de exames, o Parque Estadual de Dois Irmãos intensificou a rotina de acompanhamento de Léo, com visitas e avaliações diárias de veterinários e biólogos. Tudo registrado em um prontuário próprio para ele. 

Já de posse dos resultados e diante da gravidade do câncer e das circunstâncias envolvidas, a junta de especialistas decidiu adotar medicações para melhorar o funcionamento do fígado do animal, conter o crescimento do câncer e também para manter o animal sem dor ou desconforto.

“Já iniciamos o tratamento para melhorar a função hepática de Léo, usando um protetor hepático de última geração que é inserido na comida dele diariamente. Iniciamos também os tratamentos de medicina oriental e homeopatia para diminuir a taxa de crescimento do tumor. Tudo isto está associado às medicações que garantam melhor estabilidade e conforto dele”, assegurou Márcio Silva. 

Segundo o veterinário, a equipe do Parque de Dois Irmãos está trabalhando de forma incansável, com o apoio dos parceiros e seguindo orientações da Azab, para uma gestão eficiente de acordo com altos padrões éticos e de bem-estar animal.

“A equipe do Parque de Dois Irmãos está profundamente sentida. Mas, queremos assegurar a todos que estamos firmes no compromisso de proporcionar a manutenção da qualidade de vida de Léo e do seu comportamento natural”, finalizou o gestor.

Relembre a tragédia do Circo Vostok 
No dia 9 de abril de 2000, em mais um domingo de apresentações do Circo Vostok, localizado no estacionamento do Shopping Guararapes, em Jaboatão dos Guararapes, o menino de seis anos José Miguel foi arrastado e morto por um dos cinco leões que estavam na mesma jaula enquanto passava pelo corredor próximo à instalação. 

No momento do ataque, o menino estava acompanhado do pai e da irmã. De acordo com o pai da criança, os três estavam caminhando de volta para a plateia, e haviam se ausentado após o locutor convidar todo o público presente para tirar foto com os animas enquanto o espetáculo estivesse no intervalo.

Dos cinco animais, quatro precisaram ser executados pela polícia para que pudessem conseguir acesso ao corpo do menino. O único sobrevivente foi um filhote de sete meses de idade que foi encaminhado para o Parque Estadual Dois Irmãos.  A empresa circense foi condenada a pagar indenização de 275 mil reais aos pais da criança. 

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