Venezuela

Líder da oposição nas pesquisas, María Corina Machado é inabilitada por 15 anos na Venezuela

Descredenciamento tem como base, segundo a Justiça, em 'irregularidades administrativas' quando ela era deputada, entre 2011 e 2014

María Corina Machado em ato na cidade de Valera, na VenezuelaMaría Corina Machado em ato na cidade de Valera, na Venezuela - Foto: Reprodução/Instagram

Principal candidata da oposição, segundo as pesquisas mais recentes, a ex-deputada venezuelana María Corina Machado foi inabilitada politicamente nesta sexta-feira, medida que a deixa inelegível por 15 anos. María Corina, que faz há anos uma forte oposição ao chavismo, aparece com mais de 50% das intenções de votos nas primárias opositoras, que acontecerão em outubro, à frente do candidato Henrique Capriles, mais moderado — também inabilitado — e vem arrastando multidões nos atos que promove pelo país.

Um documento da Controladoria de Justiça, pró-governo, divulgado nesta sexta-feira, determinou a cassação de uma extensa lista de opositores, incluindo, além de María Corina e Capriles, o ex-deputado Juan Guaidó, que chegou a ser reconhecido como presidente interino por mais de 50 países, incluindo o Brasil, e se refugiou nos Estados Unidos em abril.

Segundo a Controladoria, o descredenciamento de María Corina é baseado em "irregularidades administrativas" quando ela era deputada, entre 2011 e 2014. Uma das principais articuladoras das manifestações contra o governo de Nicolás Maduro, em fevereiro de 2014, ela teve seu mandato cassado no mês seguinte pela Assembleia Nacional da Venezuela, comandada na época pelo chavista Diosdado Cabello, número dois do regime. Depois, em 2015, foi inabilitada politicamente e proibida de deixar o país.

Em princípio, a inabilitação era válida por um ano. Agora, María Corina também é acusada de ter participado de "uma trama de corrupção" encabeçada por Guaidó.

— Era o que a gente já sabia, ninguém estranha, estava por vir, mas se eles acreditam ou acharam que essa farsa da desqualificação irá desestimular minha participação nas primárias, deveriam se preparar, porque se já íamos com força, agora vamos com ainda mais — disse María Corina durante ato político em Barinas após o anúncio.

Capriles, inabilitado desde 2017 por 15 anos e também inscrito nas primárias, também rejeitou nesta sexta a decisão da Controladoria, considerando-a “inconstitucional, infundada e vergonhosa”.

"Essa desqualificação, como a nossa e de outros líderes da oposição, é ilegítima, injustificada e sobretudo inconstitucional. Maduro e as instituições que ele controla seguem o pior caminho de projetar uma eleição que só trará mais crise econômica, social e política", escreveu Capriles no Twitter.

Ao todo, 14 candidatos opositores disputarão as primárias, mas Capriles e María Corina se destacam nas pesquisas. Os dois oficializaram sua participação nas primárias no último fim de semana, após percorrerem o país por cidades onde sofreram violentos embates com partidários do governo.

O chavismo, por sua vez, já demonstrava que não facilitará a realização das primárias opositoras. Antes da inabilitação, a última manobra de Maduro foi a renúncia dos reitores do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o que na prática dissolveu o órgão que fiscalizaria o processo.

Rádio encerra transmissões
Também nesta sexta, a emissora de rádio mais antiga da Venezuela, a RCR, encerrou suas transmissões ao abandonar seu canal no YouTube. O canal começou a funcionar em 2019, depois que a emissora foi retirada da frequência de rádio pelo governo.

Com quase 93 anos de existência, a emissora foi obrigada a fechar as portas para "se proteger", disse seu diretor, Jaime Nestares, durante o último programa transmitido no YouTube.

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— As dificuldades que vivemos nos fazem pensar que algo se aproxima e não é ético da nossa parte arriscar a equipe e as instalações — disse Nestares. — É uma decisão difícil e árdua que está destinada a voltar ao ar livre (sinal aberto) ou encontrar uma alternativa que nos faça voltar em breve. Não é um fechamento definitivo.

Em 30 de abril de 2019, em meio à transmissão de um levante militar contra Maduro, o RCR recebeu a ordem de sair do ar. À época, Nestares denunciou o fechamento como "um ato de censura".

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