Linhas deixam de circular por falta de pagamento no Recife

Com paralisação do transporte complementar gratuito, 58 veículos estacionaram e cerca de 50 mil pessoas são afetadas

Manuel Dias, presidente do SinpetracopeManuel Dias, presidente do Sinpetracope - Foto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

A falta de pagamento do salário de motoristas do transporte complementar gratuito do Recife levou 180 profissionais a cruzarem os braços nesta segunda-feira (27). Os funcionários deram início ao ato às 5h, em frente à sede do Sindicato dos Permissionários do Transporte Público Complementar de Pernambuco (Sinpetracope), na Várzea, bairro da Zona Oeste do Recife. De acordo com o Sinpetracope, eles não recebem há 45 dias.

Com a paralisação, 18 linhas deixaram de circular em áreas de difícil acesso em todo o Recife nesta segunda-feira. São 58 veículos estacionados e aproximadamente 50 mil passageiros sem o atendimento diário. “A gente não tem recursos para manter o serviço. Não somos uma grande empresa, mas individuais e cada um recebe pelo quilômetro rodado. Se houver atraso, não temos capital de giro”, informou o presidente do Sinpetracope, Manuel Dias.

Ainda de acordo com o presidente do Sindicato, o pagamento do serviço é feito pelo Governo do Estado. “Um comunicado foi enviado ao Grande Recife Consórcio de Transportes na sexta-feira e todas as comunidades atendidas foram informadas previamente. Não é uma paralisação para cobrar aumento. Os funcionários estão sem receber e precisam, inclusive, de vale transporte para chegarem até a garagem”, defendeu Dias.

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Funcionário há três anos, Gilson Castro, 39 anos, é auxiliar da linha 119 - Córrego Deodato/Água Fria e reclama a falta de empatia. “Sou pai de três filhos, tenho aluguel e contas para pagar. Acordo todos os dias às 3h da manhã para cuidar do transporte urbano e minha situação como fica? Todo ano acontece esse tipo de coisa e não tem necessidade. É deplorável”, denuncia.

Por meio de nota, o Grande Recife informou que dialoga com a Prefeitura do Recife e Urbana-PE para solucionar o problema. A Secretaria das Cidades de Pernambuco também foi procurada, mas até o fechamento desta edição não obtivemos retorno.

Usuários
Moradora da UR-07, no bairro da Várzea, Márcia Bruna de Andrade, 22 anos, contou que muitas pessoas na comunidade foram prejudicadas pela paralisação do serviço. “Tudo aqui tem ladeira e todos os moradores dependem das vans para ir ao trabalho ou levar as crianças à escola. Hoje pela manhã tinha médico marcado e à tarde minha filha tinha escola”, lamentou.

Com a mobilidade reduzida pela idade, Seu João Agrício da Cruz, 87 anos, depende do transporte complementar para tarefas simples como ir à padaria. Sem o transporte, vai a pé, “devagarzinho”, espera carona ou, simplesmente, não vai. “Hoje quando cheguei [no ponto] me avisaram que não tinha van. Aí eu paguei uma pessoa pra ir lá na padaria”, contou o aposentado.

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