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'Lixão' de Chão de Estrelas é ressignificado por moradores

Moradores do bairro de Campina do Barreto, no Recife, se apropriaram de um espaço público que servia de lixão e criaram uma área de convivência

Moradores utilizaram aproximadamente 500 pneus, que foram pintados, para construir a área de convivência na regiãoMoradores utilizaram aproximadamente 500 pneus, que foram pintados, para construir a área de convivência na região - Foto: José Britto

"Flores embelezam mais qualquer ambiente do que lixo", disse sorrindo a professora Angela Lopes, 46. A declaração da educadora traduz um pouco o sentimento dos moradores do bairro de Campina do Barreto sobre um terreno localizado na rua Glauber Rocha, na zona norte do Recife. Foi com muito esforço que um grupo de pessoas se uniu para transformar o espaço que antes era tomado pelo lixo. Hoje, o que se vê é uma praça feita com quase 500 pneus reutilizados que foram pintados.

O colorido chama a atenção de quem passa por perto. Até uma pequena horta existe no espaço, que virou ponto de encontro de adultos e crianças. O terreno está localizado na comunidade de Chão de Estrelas. Mas nem sempre exibiu a beleza que tem hoje. Abandonada por vários anos, a área já serviu para moradias irregulares. Depois o lixo tomou conta, além de mato e muitos animais.

O descaso era tão grande o terreno já era conhecido como lixão de Chão de Estrelas. "Moradores de outros bairros vinham até aqui para descartar entulhos e até mesmo bichos mortos. O mau cheiro era horrível. Quem passava por aqui não suportava, imagina quem mora ao lado do terreno", disse o estudante Tarcísio Moreira, 25 anos. Ele conta que também era comum ver pessoas consumindo drogas no local, além de aparecer animais peçonhentos no local, como escorpiões e ratos.

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Cansado desta realidade, o técnico de produção Jadilson Carneiro, 46, foi o primeiro a ter a iniciativa de limpar o terreno, pois não aguentava mais conviver com tanta sujeira. "Comecei aos poucos, trazendo alguns pneus doados. Com o tempo alguns moradores passaram a ajudar com doação de tintas, por exemplo. A dificuldade hoje é conscientizar o máximo possível de pessoas para manter o espaço limpo e bem cuidado para não voltar a ser como antes", comenta. Jadilson conta que as crianças estão cobrando a instalação de pneus no terreno e o primeiro passo já foi dado. "Comprei um balanço em um ferro velho e estou fazendo uma rifa para conseguir dinheiro para revitalizar ele", explica.

Quem já se sente feliz com a praça do jeito que está é a pequena Aline Yasmin Albuquerque, de 11 anos. Ela disse que antes se sentia triste quando via o terreno. "Tinha muita sujeira. Fedia bastante. Agora temos um espaço para brincar e se divertir. Espero que fique assim para sempre", deseja a estudante. Mas nem tudo são flores. Os moradores reclamam que a iluminação pública próxima ao terreno é precária e à noite o local fica escuro. "Há mais de seis meses estamos em negociação com a prefeitura para que aqui seja feita realmente uma praça. Temos um abaixo-assinado com mais de 400 assinaturas cobrando esta obra, mas até agora não temos nenhuma resposta definitiva", comenta Jadilson Carneiro.

Quem mora na área ou tem crianças em casa teme que o espaço volte a se tornar um depósito irregular de lixo. Quando a reportagem da Folha esteve no terreno, na última terça-feira, 30, se deparou com uma equipe da Secretaria de Governo e Participação Social do Recife.

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