Lua e marés influenciam ataques de tubarão, diz secretária executiva do Cemit
Aumento de ondas nos últimos dias deixam a água do mar mais turva, atrapalhando a visão do tubarão e fazendo com que o animal "investigue" por meio de mordidas
As fases da Lua e, consequentemente, a influência delas nas marés podem ajudar a entender o motivo da Região Metropolitana do Recife (RMR) ter registrado dois ataques de tubarões em dias consecutivos.
De acordo com a secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), Danise Alves, o período de lua cheia interferiu diretamente no comportamento do animal.
Relação
“Nós tivemos no dia 31 de maio a Lua Cheia, que causa marés muito fortes. Muitas ondas e ventos deixam a água muito turva porque removem muitos sedimentos no movimento. Tudo isso faz com que o animal não consiga ‘atiçar’ o sentido da visão e acaba investigando a partir da mordida. A água turva faz com que o animal não reconheça sua presa natural”, explicou.
Coletiva sobre o ataque de tubarão na praia de Piedade. Na Imagem: Danise Alves, Secretaria Executiva do CEMIT // Matheus Ribeiro / Folha de Pernambuco
No último fim de semana, aliás, ocorreu o fenômeno chamado de “Lua Azul”, quando aparecem duas luas cheias no mesmo mês. O evento acontece aproximadamente a cada três anos. Em 2026, teve uma particularidade extra: coincidiu com a microlua, que surge quando o satélite natural da Terra se encontra próximo do ponto mais distante de sua órbita ao redor do planeta, parecendo ligeiramente menor e menos brilhante do que o comum.
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O ponto mais distante da órbita lunar é chamado de “apogeu”. Já o ponto mais próximo da Terra recebe o nome de “perigeu”. Quando uma Lua Cheia ocorre próxima do apogeu, acontece a microlua. Quando ocorre próxima do perigeu, forma-se a chamada superlua. “O que a gente pede neste período de marés altas e chuvas é que a população evite o banho de mar de qualquer forma. Só procure fazer isso em áreas abrigadas, aquelas que formam piscinas. Se for à praia, o ideal é tentar usufruir da faixa de areia, fazendo um esporte”, apontou.
“É uma realidade triste e cruel, porque os animais estão aí e nesse período as marés estão fortes e propícias para os tubarões chegarem ao raso. Tem uma placa de sinalização (orientando a evitar o banho de mar), mas infelizmente as pessoas não conseguem reconhecer os riscos”, completou.
Dados
Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), historicamente o período entre junho e setembro é considerado o de maior risco para ataques no litoral pernambucano, justamente devido à combinação de fatores ambientais e oceanográficos.
Desde o ano de 1992, já foram registrados 84 incidentes de ataques de tubarão em Pernambuco, sendo 70 deles na Região Metropolitana do Recife (RMR) e 14 no arquipélago de Fernando de Noronha. Foram 25 ocorrências na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul da capital pernambucana, e 24 na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

