FRANÇA

Macron e Le Pen se preparam para debate decisivo da eleição presidencial na França

Faltam cinco dias para o segundo turno das eleições presidenciais na França

Marine Le Pen e Emmanuel Macron, os dois candidatos que disputarão o segundo turno das eleições presidenciais da FrançaMarine Le Pen e Emmanuel Macron, os dois candidatos que disputarão o segundo turno das eleições presidenciais da França - Foto: Joel Saget, Erik Feferberg / AFP

O presidente centrista Emmanuel Macron e a candidata de extrema-direita Marine Le Pen reservaram esta terça-feira (19) para a preparação do crucial debate televisivo de quarta (20), com a esperança de fazer pender a balança presidencial a seu favor, a cinco dias do segundo turno na França.

De acordo com as pesquisas mais recentes, Macron, com entre 53% e 55,5% dos votos, venceria mais uma vez Le Pen (44,5% e 47%) na votação do próximo domingo (24), mas a candidata do partido Reagrupamento Nacional (RN) reduziu consideravelmente a distância na comparação com o duelo de 2017 (66,1% a 33,9% no segundo turno). 

"Vou me preparar para o debate em minha casa, como faço para todos os debates", disse Marine Le Pen, que na segunda-feira se encontrou com eleitores na Normandia (noroeste), antes de encarar a reta final de sua terceira campanha presidencial.

O debate de 2017 foi terrível para a candidata de extrema-direita, criticada por sua "agressividade" e "falta de preparo". Poucos dias depois, ela admitiu um "erro estratégico", um mea culpa que reiterou na atual campanha.

Macron aproveitou a segunda-feira de Páscoa, feriado na França, para conceder três entrevistas a emissoras de rádio e televisão, nas quais chamou a atenção para a abstenção e voltou a falar sobre as consequências da chegada da extrema-direita ao poder.

"Pensem no que falavam os cidadãos britânicos algumas horas antes do Brexit ou nos Estados Unidos antes da votação em (Donald) Trump: 'Não vou comparecer, qual o sentido?' Posso dizer que no dia seguinte se arrependeram", afirmou o centrista ao canal France 5.

O candidato do partido A República Em Marcha (LREM), de 44 anos, se esforça para ressuscitar a imagem de radical da herdeira da Frente Nacional, que Marine Le Pen conseguiu apagar no primeiro turno ao evitar temas como a migração ou a segurança.

Após um primeiro turno discreto e no qual se apresentou como defensora do poder aquisitivo, Le Pen, 53 anos, busca agora tranquilizar os franceses sobre seu eventual governo, ao afirmar que comandará a França como uma "mãe de família".

"Novo impulso"
O debate programado para para a noite de quarta-feira, que será mediado pelos jornalistas Gilles Bouleau (do canal privado TF1) e Léa Salamé (do canal público France 2), será o primeiro de Macron, que se recusou a encontrar os rivais no primeiro turno.

Os candidatos desejam atrair os adeptos do esquerdista Jean-Luc Mélenchon, o terceiro mais votado no primeiro turno (21,9%) e que pediu a seus eleitores que não concedam nenhum voto a Le Pen, mas sem pedir voto diretamente para Macron.

Com base neste apelo, uma pesquisa entre mais de 200 mil pessoas que apoiaram a candidatura de Mélenchon mostrou dois terços a favor do voto nulo, em branco ou da abstenção no segundo turno. O terço restante defendeu o voto no atual presidente.

Para tentar convencê-los, Macron deu um passo atrás em sua principal proposta - aumentar a idade mínima da aposentadoria de 62 a 65 anos. Um dia após o primeiro turno, ele se declarou aberto a aumentar para 64 anos.

Ele também tenta se livrar da imagem de "presidente dos ricos" e se apresenta, há algumas semanas, como alguém próximo. Uma das demonstrações mais recentes é uma fotografia sem camisa, deitado em um sofá, depois de um comício em Marselha.

A maioria dos candidatos derrotados no primeiro turno pediu voto para Macron ou contra Le Pen. Esta última também tem a rejeição de sindicatos, atletas, atores... 

A cinco dias do segundo turno, o presidente recebeu o apoio de seu pai, Jean-Michel Macron, que em uma entrevista ao jornal L'Est républicain disse que tem "muita admiração" por seu filho e que os franceses são "muito ingratos" a respeito de seu primeiro mandato.

Se Macron for reeleito, o primeiro-ministro, Jean Castex, anunciou que apresentaria a demissão do governo alguns dias depois, sem esperar as eleições legislativas de maio, porque na sua opinião é necessário um "novo impulso".

Veja também

Trump diz: 'fui atingido por uma bala que perfurou a parte superior da minha orelha direita'
ATENTADO

Trump diz: 'fui atingido por uma bala que perfurou a parte superior da minha orelha direita'

Biden diz que 'não há lugar para esse tipo de violência' após tiroteio em comício de Trump
SOLIDARIEDADE

Biden diz que 'não há lugar para esse tipo de violência' após tiroteio em comício de Trump

Newsletter