Mãe de Morato não crê em suicídio

A mulher, de 71 anos, que é funcionária pública aposentada e preferiu não se identificar, defendeu a tese de que ele sofreu um infarto fulminante

Geraldo Julio e João PauloGeraldo Julio e João Paulo - Foto: Arte/Folha de Pernambuco

A mãe do empresário Paulo César de Barros Morato, considerado o “testa de ferro” da organização criminosa suspeita de levar dinheiro para as campanhas do ex- governador Eduardo Campos, acredita que o filho não se matou. Em entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco, a mulher, de 71 anos, que é funcionária pública aposentada e preferiu não se identificar, defendeu a tese de que ele sofreu um infarto fulminante, já que era cardíaco e diabético. Ela também descartou a hipótese de homicídio.

“Ele não se mataria jamais. Acredito que Paulo estava passando por aquele motel e parou porque se sentiu mal. Ele tinha problemas de saúde e deve ter infartado lá dentro”, comentou. Mesmo sem ter conhecimento da participação do filho no esquema que movimentou mais de R$ 600 milhões entre 2010 e 2016 e assustada com toda a repercussão do caso, a aposentada vive uma vida simples e sempre morou de aluguel.

Há dez meses, ela reside com a primogênita e o caçula, que também optaram por sigilo na identidade, em um condomínio localizado no bairro de Piedade, em Jaboatão. Antes, a mulher havia morado, durante oito anos, em uma casa conjugada em Prazeres, também em Jaboatão.

Durante esse tempo, a mãe de Morato chegou a vender feijoada para complementar a renda familiar e garantiu que o filho nunca lhe deu um centavo.

A aposentada também revelou que não via Morato há, pelo menos, dois anos e que os dois não mantinham contato telefônico. Ela sequer sabia o endereço dele. “Paulo era uma pessoa boa, um homem bom, trabalhador, mas a gente tinha pouca convivência. Ele tinha um jeito reservado e era afastado da gente. Nessa casa nova, por exemplo, ele nunca pisou”, revelou a mulher, que também comentou sobre a morte de um outro filho, durante um assalto, em 2006.

No endereço antigo da mãe do empresário, vizinhos garantiram que nunca viram Morato por lá. “A gente sabia que ela tinha esse filho porque ela se orgulhava bastante dele. Ela já chegou a comentar pra gente que ‘tinha um filho rico’, que ‘tinha um filho com casa na praia’... mas a gente aqui nunca tinha visto esse homem. Só descobrimos que ele era filho dela durante toda essa repercussão”, comentou uma moradora, que também preferiu não se identificar.

Os irmãos de Morato declararam que também não tinham contato com ele. “A gente gostava dele, sabia que ele era um homem bom, mas, se ele realmente entrou nessa, a gente não tem nada a ver com isso”, revelou a primogênita, que fez questão de mostrar todos os cômodos da casa para exibir que não vivem com muito conforto. Já o irmão por parte de mãe comentou que Morato vivia para a esposa e as filhas. “Jane e as filhas dela eram a família dele. Eles viveram juntos por 26 anos e se separaram há alguns meses. Paulo ajudou a criar as duas meninas, uma delas é a advogada Gleicy”, comentou.

O carro - um Jeep Renegade - encontrado com Paulo César Morato no Motel Tititi, em Olinda, estava financiado no nome da enteada, Gleicy Leandro da Silva. A empresa que Paulo era proprietário, a Tamandaré Cell, também estava no nome de Gleicy. A reportagem da Folha foi até o possível endereço da advogada, na Iputinga, no Recife, mas moradores do prédio informaram que ela não mora lá há, pelo menos, dois anos.

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