Maior sujeira na beira do mar

Ligações clandestinas de esgoto, falta de rede coletora, lixo e presença de animais têm tornado impróprias praias do Estado

Governador assinou OS para construção da Adutora Serro AzulGovernador assinou OS para construção da Adutora Serro Azul - Foto: Hélia Scheppa/SEI

 

Sempre que o verão se aproxima, a vontade de dar aquele mergulho de cabeça no mar é uma boa pedida, renovadora. Porém, o relatório de balneabilidade divulgado semanalmente pela CPRH aponta que dez das praias do litoral pernambucano com maior movimento estão impróprias para banho.

O órgão monitora 50 pontos distribuídos em 11 municípios. Dentre as que sempre figuram na lista vermelha não é novidade ver trechos das praias do Pina (Zona Sul do Recife), do Carmo (Olinda) e de Candeias (Jaboatão dos Guararapes). Um novo relatório será divulgado esta semana. Até lá especialistas recomendam: é melhor estabelecer uma distância mínima de 100 metros dos pontos impróprios até que nova análise prove o contrário.

De acordo com o diretor de Controle de Fontes Poluidoras da CPRH, Eduardo Elvino Lima, entre as causas mais comuns que identificam uma praia imprópria estão as ligações clandestinas de esgoto nas galerias de águas pluviais, falta de rede coletora de esgotamento sanitário, lixo e presença de animais como cavalos, cães e gatos.

“Esses animais têm sangue quente como a gente. Ao defecarem, os coliformes contidos nas fezes entram em contato com a água do mar, agravando ainda mais o quadro de (má) balneabilidade da praia”, explica o diretor, ressaltando que a quantidade de coliformes fecais é a que determina a classificação. “São indicadores da qualidade da água. Se há muitos coliformes, há também a presença de bactérias”, pontua.

Num trecho da praia do Pina, próximo às quadras esportivas, foi possível ver a presença de fezes, o que só evidencia a presença de animais na área e reforça a falta de consciência por parte das pessoas. Também não é preciso andar muito para ver o lixo pairando sobre as águas e na faixa de areia.

Na orla de Brasília Teimosa, há restos de material de construção jogados à beira do mar. Até colchão, sandálias e garrafas de vidro foram encontrados jogados em meio às pedras que servem de muro de contenção.

O cenário não é diferente na Região Metropolitana. Na praia do Carmo, em Olinda, o lixo boia na água e se mistura aos sargaços. Carcaças de barco estão abandonadas. A cor da área chega a ser preta, provavelmente devido ao óleo das embarcações. Como se não bastasse o descaso, um cano estourado jorra água limpa para o mar.

Para Diego Guedes, professor de Infectologia da UFPE, o quadro é preocupante e um reflexo do quanto o Estado sofre com a falta de saneamento básico. “O principal que deveria estar sendo feito para evitar doenças, que é saneamento básico, não ocorre. Ao tomar banho num mar desse, a pessoa pode ter diarreia e náusea, pois, ao mergulhar, sempre se engole um pouco de água. Até a areia contaminada é um perigo, pois parasitas e bactérias podem se alojar por baixo da pele. Um exemplo classico é o bicho geográfico’, alerta.

 

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