Mais calmo do que em 2018, Messi sorri e acredita em melhora

"Sempre quando se perde é grave para os outros. Mas temos de encontrar forças em nós mesmos para reagir", disse Messi

Craque argentino, Lionel MessiCraque argentino, Lionel Messi - Foto: Juan Mabromata/AFP

"Leo, por favor!" A frase foi dita por jornalistas argentinos uma, duas, três, quatro vezes após a partida em que a Argentina perdeu para a Colômbia por 2x0 neste sábado (15), na Fonte Nova, em Salvador. Não é sempre que Lionel Messi atende a esses pedidos de entrevistas após uma derrota. Em toda Copa do Mundo da Rússia no ano passado, ele falou com a imprensa apenas duas vezes. Acabrunhado, reticente e pressentindo o desastre que seria a campanha argentina, pouco disse.

Depois de sair do vestiário na Bahia na estreia da Copa América, ele parou sempre que chamado.

"Sempre quando se perde é grave para os outros. Mas temos de encontrar forças em nós mesmos para reagir", disse, soltando um sorriso no fim.

A risada de Messi diante da imprensa após resultado negativo em um torneio com a seleção argentina é algo para ser guardado.

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Em parte significa que para ele a Copa América não tem a mesma importância do Mundial. Mas a última partida da Argentina pelo torneio continental antes da derrota deste sábado detonou sua aposentadoria da seleção. Após perder a terceira final em três anos e cair nos pênaltis diante do Chile, em 2016, Lionel disse que não jogaria mais pelo país. Voltou atrás meses depois, mas as lágrimas daquela noite nos Estados Unidos mostraram que o torneio continental tem importância.

Mesmo porque em todas as entrevistas, não apenas ele, mas todos os jogadores do elenco e o técnico Lionel Scaloni precisam responder sobre o jejum de 26 anos sem títulos. O último foi a Copa América de 1993. O capitão daquela equipe, o zagueiro Oscar Ruggeri, estava na Fonte Nova comentando a partida para a TV Pública e para a Fox Sports do país.

Na Copa do Mundo, duas vezes Messi ignorou a imprensa após os jogos e não falou. Depois da goleada sofrida diante da Croácia e da eliminação contra a França, saiu calado, escoltado pelo presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino), Claudio Tapia.

"A gente não pode colocar sobre os ombros de Leo toda a culpa por uma derrota. Cada um tem de assumir o seu papel e a sua responsabilidade. Ele é referência para todos nós, mas não vai fazer tudo sozinho", explicou o meia Rodrigo De Paul, que entrou no intervalo na vaga de Di María e foi responsável pela melhora ofensiva da Argentina quando o placar ainda era 0x0.

Messi foi perguntado sobre estar mais tranquilo após um resultado negativo do que em outros resultados negativos, mas esta questão resolveu ignorar.

"(A derrota) Dói, obviamente, mas agora não podemos fazer nada a não ser ganhar o jogo seguinte. Não é uma boa maneira de começar, mas não vamos ficar nos lamentando. É passo a passo. Agora tem o Paraguai e depois veremos o que podemos fazer", analisou.

Ele bateu na mesma tecla várias vezes: a Argentina precisa usar como exemplo os 30 minutos iniciais do segundo tempo diante da Colômbia. O atacante acredita que este futebol será suficiente para dar ao time a vitória sobre o Paraguai, na próxima quarta (19), no Mineirão. A situação não é dramática por causa do sistema de classificação da Copa América. Avançam os dois primeiros de cada chave e os dois melhores terceiros colocados. Isso dá a uma seleção que começa mal o torneio a oportunidade de se recuperar.

Em 2011, o Uruguai terminou em 3o no seu grupo e foi campeão, eliminando a Argentina e Messi pelo caminho.

A equipe então dirigida por Jorge Sampaoli estreou com empate na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, diante da Islândia e se desesperou. Messi, que perdeu pênalti neste jogo, entrou em parafuso e ficou em tal estado de ânimo de abatimento que perturbou até funcionários da AFA.

A versão 2019 do capitão da seleção escolheu não se preocupar tanto.

"Temos de usar como aprendizagem para o que vem. Não é fácil começar a competição assim, mas ganhando do Paraguai muda tudo. Não há tempo para lamentar-se", completou, acreditando que a derrota contra a Colômbia foi injusta. "Talvez merecíamos um pouco mais. Foi uma partida igual."

É possível que Messi tenha comprado a ideia que o trabalho é de longo prazo e que o objetivo final, apesar da importância do título da Copa América, é o Mundial do Qatar em 2022. Mas falta combinar isso com Claudio Tapia, que não confirmou a permanência de Lionel Scaloni no comando se a Argentina não for campeã no Brasil.

"Vamos pensar em coisas positivas", finalizou Messi.

Esta frase mostra que este Lionel da Copa América não é, de jeito nenhum, o mesmo que esteve na Rússia no ano passado.

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