Mais dois prédios da UFPE são ocupados por alunos contrários à PEC 241

Agora, a universidade tem cinco centros com estudantes acampados

Afagos entre Lula e Câmara: aliança à vista?Afagos entre Lula e Câmara: aliança à vista? - Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Mais dois prédios da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foram ocupados nesta quinta-feira (27) por estudantes. Os alunos, que são contra reformas do governo do presidente de Michel Temer, se instalaram no Centro de Artes e Comunicação (CAC) e no Núcleo Integrado de Atividades de Ensino do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Niate/CFCH).

Os alunos se posicionam contra a PEC 241, que estabelece um teto para os gastos públicos, e a MP 764, a Reforma do Ensino Médio.

Com as ocupações desta quinta, a UFPE conta com cinco centros ocupados. Além do CAC e do Niate, o próprio CFCH e o Centro de Educação (CE) do Campus Recife têm presença de manifestantes. Já o Centro Acadêmico de Vitória (CAV), em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata pernambucana, está lotado de alunos há cerca de duas semanas.

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Carta à comunidade 

A liderança das ocupações na UFPE divulgou nesta sexta-feira carta aberta em que explica as reivindicações do movimento. Além da PEC 241, o movimento se posiciona contra a MP 764, conhecida como a Reforma do Ensino Médio, e coloca assuntos internos da universidade, como a homologação de um novo estatuto da UFPE.

Confira a íntegra do documento:

"CARTA ABERTA DA OCUPAÇÃO À COMUNIDADE

Em momentos de crise estrutural no país, o corte dos direitos essenciais das/os cidadãs/ãos é uma prática constante, em que o Estado, em detrimento da garantia dos direitos básicos, executa cortes autoritários em setores fundamentais, como saúde e educação, sob uma pretensa ideia de democracia representativa. Um exemplo dessa prática tem sido verificado na criação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, a qual, em defesa de uma educação tecnicista e mecânica, impõe o congelamento de gastos na educação e na saúde pelos próximos 20 anos, provocando maior precarização desses serviços.

Como a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) já conhece, as mobilizações contra reforma do Ensino Médio e da PEC 241 só vêm aumentando. No Brasil, são quase 1000 instituições de ensino médio, técnico e universitário ocupadas, não sendo diferente na UFPE, que teve o Centro Acadêmico de Vitória (CAV) como pioneiro nos processos de ocupação. A luta atingiu novas proporções nessa segunda-feira, dia 24, em Recife, quando estudantes acordaram a cidade com fúria e garra paralisando as aulas da UFPE, trancando a BR-101 e as entradas que dão acesso à Universidade por mais de três horas. Durante o trancaço, diversas/os estudantes, com caráter plural e suprapartidário, iniciaram a ocupação no Centro de Educação e, posteriormente, em torno de 400 outras/os estudantes de distintos cursos, ao longo do dia, ocuparam o Centro com apoio de professoras/es, técnicas/os e os movimentos do Comando Unificado de Mobilização.

Na terça-feira, 25, estudantes decidiram ocupar o Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) com o objetivo de expandir a luta, fomentando a mobilização. Assim, esta é uma oportunidade imprescindível para reivindicarmos melhores condições estruturais neste prédio, como a colocação de chuveiros nos banheiros, a instalação de bebedouros, climatização nas salas de aula, o fortalecimento da segurança para as mulheres a fim de evitar assédios e estupros, a efetiva investigação de professoras/es deste centro acusadas/os de assédio moral e/ou sexual. Com isso, fortelecemos a luta e acreditamos em sua expansão por todo o campus, com vistas à GREVE GERAL.

As reivindicações da ocupação continuam a ser as pautas que o movimento estudantil da UFPE vem pautando ao longo dos últimos anos, sendo estas de caráter interno como: a luta contra os cortes na Universidade, a exigência imediata da Homologação do Novo Estatuto, a revogação dos processos contra as/os estudantes que participaram da última ocupação na reitoria desta Universidade, bem como do ofício do Ministério da Educação (MEC), o qual exige que as/os diretoras/es dos Institutos Federais de Educação identifiquem as/os alunas/os que participaram das ocupações. Já somando luta às demais ocupações da nossa sociedade, as/os ocupantes levantam bandeiras de indignção à Medida Provisória (MP) 764, imposta pelo MEC sem consulta e construção dos movimentos sociais, comunidade e profissionais da Educação.

Nesse sentido, comprendemos a importância desta discussão abranger as/os terceirizadas/os e as/os ambulantes da UFPE, além de ultrapassar os muros da Universidade, não esquecendo de trazer para nossa luta a comunidade em geral, as/os trabalhadoras/es, as centrais sindicais, as escolas públicas e os conselhos municipais de educação. Diante disso, convidamos toda a comunidade e setores da sociedade que simpatizam com a causa, já que compreendemos que é momento de luta unificada. Participar da ocupação, dos atos da UFPE, das intervenções pelas cidades, manter diálogo entre as diversas esferas são compromissos que devemos assumir. JUNTAS/OS SOMOS MAIS FORTES.

Quem tem que discutir as politicas educacionais não são os banqueiros, mas sim, quem está ligada/o e conhece as realidades enfrentadas diariamente. Nesse sentido, manifestamos o nosso apoio às ocupações dos Institutos Federais, das escolas secundaristas, da Universidade de Pernambuco (UPE), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), bem como à mobilização das/os técnicas/os da UFPE, primeira categoria a decretar greve nesta instituição e às demais resistências. A luta que se faz aqui saúda a luta de todas essas mobilizações, pois acreditamos que podemos construir um mundo novo. Se há braços, há luta.

Comissão de Comunicação
Ocupa UFPE"

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