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Mais para grêmio estudantil do que para partido político

Cabe ao PCdoB e aos outros partidos de oposição respeitar a vitória de Jair Bolsonaro

Inaldo SampaioInaldo Sampaio - Foto: Colunista

Jair Bolsonaro obteve vitória incontrastável nas eleições do último domingo, derrotando o candidato do PT, Fernando Haddad, por mais de 10 milhões de votos. A campanha teve muito radicalismo do inicio ao fim devido às posições polêmicas do capitão sobre democracia, direitos humanos, respeito às minorias e o golpe militar de 64. Mas não se pode acusá-lo de ter escondido o pensamento para ganhar a eleição. Ele disputou dentro das regras do jogo, por um partido nanico que tinha apenas oito segundos de televisão e, sem nenhuma aliança relevante, chegou ao segundo turno e sagrou-se vitorioso. Até aí, nada demais! Há que se respeitar a vontade da maioria do eleitorado como fizeram, entre outros, Marina Silva, Ciro Gomes e Fernando Haddad. O surpreendente nessa história foi nota infantil divulgada pelo PCdoB, mais para grêmio estudantil do que para partido político com quase um século de existência. A nota assinada pela presidente nacional do partido, Luciana Santos, vice-governadora eleita de Pernambuco, não faz jus à sua inteligência e nem à história dos comunistas. Ela contém uma série de obviedades sobre a influência das “fake news” no processo eleitoral, diz que Bolsonaro é uma ameaça à democracia e à soberania nacional, que foi eleito pregando a violência e o ódio, e que a “lisura” do pleito foi comprometida “para favorecer o candidato da extrema direita”. Ora, se a lisura do pleito estava comprometida, por que o PCdoB participou dele como a candidata a vice Manoela D’Ávilla? O país não está à beira do caos como se diz e nem vai acabar-se por causa da vitória de Bolsonaro. Houve um processo normal de alternância de poder e cabe ao PCdoB curvar-se ao resultado das urnas. É assim que as democracias funcionam.

O gás derrotou Bolsonaro
Formado em marketing nos EUA, o engenheiro João Sombra tem uma explicação para Bolsonaro ter vencido a eleição no grande Recife no 1º turno, e perdido no 2º: a promessa de Haddad de baixar o preço do gás para R$ 49,00. Sombra diz que enquanto as elites estavam preocupadas com o “futuro da democracia”, o povão colocou o “bolso” em primeiro lugar.

Sem perfil > É normal que Bolsonaro coloque o senador não reeleito Magno Malta (PR-ES) em algum cargo no governo, mas no Ministério da Educação seria uma afronta à inteligência nacional. Se o presidente eleito deseja convidar um “técnico competente”, há nomes de sobra.

Voto duro > Era tão acentuado o desejo de uma parcela dos brasileiros de derrotar o PT nessas eleições que nem os absurdos ditos por Bolsonaro sobre minorias e direitos humanos mexeram nesses votos. O objetivo era impor uma derrota ao ex-presidente Lula e ele foi alcançado.

Guerra fria > Em nenhum outro estado do Brasil o “comunismo” foi tão discutido nessas eleições como em SP. O governador eleito, João Doria (PSDB), ganhou a eleição pegando carona em Bolsonaro e acusando seu adversário, Márcio França (PSB), de ser “comunista”.

Ponta a ponta > Em seu 2º mandato, Paulo Câmara poderia se inspirar no governador reeleito Camilo Santana (PT-CE), que através do programa “Ceará de ponta a ponta” fez 1.600 km de estradas entre restaurações e duplicações. Nesse particular, Pernambuco leva desvantagem.

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