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Ameaça à biodiversidade

Mais peixes de espécie invasora são capturados em Fernando de Noronha

Peixes-leão representam ameaça ao ecossistema do arquipélago, segundo especialistas

Peixes-leão capturados em Fernando de NoronhaPeixes-leão capturados em Fernando de Noronha - Foto: Cortesia/Sea Paradise

Mais três exemplares de peixe-leão, espécie venenosa e considerada invasora, foram capturados no Arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, entre a última sexta-feira (10) e esta segunda-feira (13). Com isso, subiu para nove o total de peixes capturados desde quando o primeiro foi pego de forma oficial, em dezembro do ano passado.

De acordo com o diretor da Sea Paradise, uma das empresas responsáveis pela captura dos espécimes, Fernando Rodrigues, o peixe encontrado nesta segunda-feira foi capturado no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, área de preservação ambiental.

A espécie é considerada invasora, porque é nativa dos ecossistemas de recifes do Indo-Pacífico, região que compreende as costas localizadas na confluência dos oceanos Índico e Pacífico. 



Com 18 espinhos espalhados pelo corpo, os peixes-leão são exuberantes, mas temidos e perigosos. Isso porque, apesar da beleza, esse peixe, que pode pesar até 200 gramas, carrega um enorme potencial de prejuízo ao ecossistema marinho e à biodiversidade.

“Existe um procedimento que está sendo organizado pelo ICMBio que, caso um banhista ou turista aviste o bicho, entre em contato porque ele tem veneno”, explicou o coordenador do Projeto Conservação Recifal (PCR) de Fernando de Noronha, Pedro Henrique Pereira.

Participam da captura dos peixes o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), instrutores de mergulho e pessoal responsável. 

Os dados mais recentes do ICMBio indicavam, na última quinta-feira (9), que pelo menos 11 peixes-leão chegaram a ser avistados na ilha, desde dezembro de 2020, mas nem todos foram capturados.

Dos 11, seis acabaram capturados, sendo quatro em agosto. Outros quatro tinham sido somente avistados: dois na última quinta-feira (9), um na quarta-feira (8) e outro em agosto, além de uma outra suspeita também em agosto.

Venenosos, os peixes-leões podem inocular o seu veneno através dos espinhos localizados nas regiões dorsal, pélvica e anal. 

Em humanos, podem provocar dor intensa localizada seguida de edema local, náuseas, tontura, fraqueza muscular, respiração ofegante e dor de cabeça.

Origem do peixe-leão
Alguns peixes-leões foram levados aos Estados Unidos para serem criados em aquários, mas escaparam para a natureza e, desde então, representam ameaça e alerta, já que não têm predadores naturais, são excelentes predadores e podem causar danos irreversíveis ao ecossistema marinho das regiões onde invadem.
 
Peixes da espécie já foram achados no Oceano Atlântico Norte, no Caribe e, no Brasil, antes de aparecer em Fernando de Noronha, houve registros na região Norte e em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro.

Os espécimes costumam viver cerca de 15 anos e a até 300 metros de profundidade. De hábito noturno, esses peixes costumam se alimentar de pequenos peixes e, normalmente, os comem vivos, mas, em cativeiro, podem comer camarões congelados. 
 

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