Mais que um sentimento, amor é princípio que move a humanidade

Afeto pode ser expressado de diversas formas e consiste em um exercício diário de empatia e autoconhecimento.

Demonstração de amor passa pelo exercício da empatiaDemonstração de amor passa pelo exercício da empatia - Foto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Por mais que a gente queira criar algo novo, nunca visto antes por ninguém, há clichês que são inevitáveis. Este é um deles. Sem amor, não existe humanidade. Se você é como o narrador desta Vida Plena pré-natalina e busca no jornal assuntos mais “cerebrais” e “informativos”, com afirmações mais diretas e menos emotivas, encare este texto como uma observação social. Se não é, já sente no dia a dia: o amor é o princípio que sustenta a vida ao manter as relações entre as pessoas.

Para constatar isso, olhe ao redor se estiver perto das pessoas com quem convive ou pense no que gosta de fazer, trabalho ou hobby, e em tudo que dá sentido à continuidade de existir. O afeto que envolve cada dia é o que motiva a seguir em frente, superar os conflitos e frear os impulsos mais agressivos. Por essa onipresença e por essa capacidade de se manifestar de diversas formas, o amor é um tema que não se esgota e, mais que um sentimento, deve ser visto como um exercício constante, multilateral e coletivo.



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Do ponto de vista filosófico, o amor costuma ser classificado em três variações definidas na Grécia Antiga séculos antes de Cristo: eros, philia e ágape. “Eros é o amor sensual entre duas pessoas. Philia é o amor dos amigos. E ágape é mais gratuito, um amor materno ou paterno, divino, numa dimensão transcendental. Colocando essas três dimensões do amor na nossa realidade, percebemos essas manifestações porque nos completam, edificam e impulsionam. O ágape não é personalizado, é horizontal, para toda a humanidade”, explica o professor de filosofia e teologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), José Marcos Luna. “Nós precisamos do amor porque a realidade humana é, muitas vezes, marcada pela maldade, mas se edifica com a solidariedade e com o bem”.

Para exercitar esse potencial afetivo, o autoconhecimento é fundamental, visto que ajuda a repensar as próprias emoções e tomar consciência da conduta e das necessidades do outro. Um processo que, de acordo com a psicóloga Alda Roberta Campos, presidente do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco (CRP-PE), não se conclui da noite para o dia. “À medida que você está consigo mesmo, consegue estar bem com as outras pessoas. Quando você está em dificuldade de aceitação e equilíbrio interno, isso dificulta a empatia e a solidariedade. Uma coisa importante é que isso é apreendido, tem a ver com educação, às vezes um esforço mesmo de se deslocar do desejo primitivo do que você quer para aceitar outra pessoa”, diz.

[PODCAST] Para falar sobre o amor ao próximo, Jota Batista conversou com o teólogo batista Aizamarch Morato.




Apesar de o tema sensibilizar muita gente nesta época de Natal e Réveillon, mobilizando ações solidárias em vários lugares, esse exercício deve ser praticado o ano inteiro e envolve até a desconstrução de hábitos do senso comum. “A gente vive numa sociedade capitalista e de competição. Por maior que seja o discurso de solidariedade, as crianças são educadas para serem as melhores, os destaques da turma, ter os melhores brinquedos. E aí, depois, começam a construir relações muito superficiais em que não se aprofunda o afeto. Como podemos ser bons com tanta cobrança de corpo, nota escolar, padrão de beleza?”, reflete Campos.

Uma das principais manifestações práticas do amor pode estar no engajamento em projetos de voluntariado. Para Yablans Nascimento, coordenador de Mobilização da ONG Novo Jeito, que realiza ações de impacto social, o amor é um movimento. “Quando a pessoa se dedica à ação voluntária, ela trabalha a empatia. Isso faz com que a gente comece a olhar para a realidade do outro e pensar: ‘Esse também é um problema meu’”, afirma.

Entre as ações da organização, está a Mais Amor, que distribui abraços e rosas em locais públicos, como o Parque da Jaqueira, onde fizemos a entrevista. “Eu acho muito legal você abordar as pessoas nessa brincadeira, nessa alegria. Trazer uma flor, dar um abraço. Alegrou meu dia”, conta a estudante de letras Vitória Prazeres, 19, ao receber um abraço do grupo.

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