Manter seus dentes pode acrescentar anos de vida independente, mostra estudo
O estudo analisou mais de 3 mil singapurianos com 60 anos ou mais
Um fator pouco conhecido pode estar ligado a uma vida mais independente na terceira idade: dentes conservados. De acordo com pesquisadores do Centro Nacional de Odontologia de Singapura (NDCS), na China, em colaboração com pesquisadores da Escola de Medicina Duke-NUS, nos EUA, o efeito é especialmente observável entre pessoas que não utilizam próteses removíveis.
"Nossos resultados sugerem que uma boa saúde bucal não se resume apenas a ter um sorriso bonito — ela é essencial para apoiar nossa função física, independência e bem-estar geral na terceira idade. Esta pesquisa destaca a importância tanto da preservação dentária quanto da reabilitação protética, que podem adicionar anos mais significativos de vida saudável e independente e promover um envelhecimento saudável", afirma o professor Marco Peres, vice-diretor executivo de Pesquisa, Inovação e Educação do NDCS e coautor sênior desta pesquisa.
O estudo, publicado na revista científica Journal of Epidemiology and Community Health, reuniu ao menos 3 mil singapurianos com 60 anos ou mais.
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Entre os adultos que não utilizavam prótese, aqueles que mantinham de 20 a 32 dentes naturais apresentavam:
- Aos 60 anos: mais de cinco anos adicionais sem limitações nas atividades da vida diária e mais de três anos adicionais sem limitações na função física.
- Aos 70 anos: mais de 4 anos adicionais sem limitações nas atividades da vida diária e 2,5 anos adicionais sem limitações na função física.
- Aos 80 anos: mais de 2 anos adicionais sem limitações nas atividades da vida diária e mais de um ano adicional sem limitações na função física.
Além disso, os idosos com próteses com ensino médio ou superior, mas que apresentavam de 20 a 32 dentes naturais, tiveram mais anos sem limitações nas atividades da vida diária (AVDs), enquanto aqueles com 10 a 19 dentes naturais apresentaram mais anos sem limitações na função física, em comparação com aqueles sem dentes naturais.
Os pesquisadores apontam que os achados indicam a necessidade de investimentos em cuidados odontológicos preventivos, estratégias de preservação dentária e acesso a próteses dentárias removíveis.
"Este estudo demonstra que a saúde bucal está intimamente ligada ao tempo que as pessoas conseguem manter sua independência ao envelhecer. Descobrimos que os benefícios de manter mais dentes naturais — principalmente entre aqueles que não usam próteses dentárias removíveis — foram mais pronunciados entre homens e participantes com menor nível de escolaridade. Isso sugere que a saúde bucal pode desempenhar um papel importante na determinação das desigualdades nos resultados do envelhecimento", indica o professor associado Rahul Malhotra, coautor sênior desta pesquisa.

