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CASO HENRY BOREL

"Mataram meu filho mais uma vez", diz Leniel após perdão judicial concedido a Monique

Pai de Henry Borel criticou duramente a decisão que livrou Monique Medeiros de punição e afirmou que a sentença representa uma nova violência contra a memória do filho

Leniel Borel, pai de Henri fala antes da audiência de instrução no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de JaneiroLeniel Borel, pai de Henri fala antes da audiência de instrução no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A condenação de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes relacionados à morte de Henry Borel não foi suficiente para aliviar a indignação de Leniel Borel. Logo após o anúncio da sentença, na madrugada desta quinta-feira, o pai do menino criticou duramente a decisão da juíza que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe da criança, e afirmou que o filho foi “morto mais uma vez”.

— Mataram meu filho mais uma vez. É um absurdo falar em misoginia — declarou Leniel, ao comentar a justificativa apresentada pela magistrada para conceder o benefício à ex-companheira.

Durante a leitura da sentença, a juíza entendeu que Monique deveria receber o perdão judicial após o Conselho de Sentença reconhecer sua responsabilidade por omissão diante das agressões sofridas por Henry. Ao justificar a decisão, a magistrada afirmou que, em situações semelhantes, pais costumam ser tratados de forma diferente pelo sistema de Justiça e mencionou aspectos relacionados à violência de gênero.

A posição foi imediatamente contestada por Leniel.

Questionado se colocava no mesmo patamar a responsabilidade de Jairinho, apontado como autor das agressões fatais, e a de Monique, acusada de não impedir a violência contra o filho, o pai de Henry respondeu que considera a conduta da ex-mulher ainda mais grave.

— Jairo foi um monstro, perverso, sádico. Mas ela foi muito pior — afirmou.

 

Também após a sentença, o advogado Cristiano Medina, assistente da acusação e representante de Leniel no processo, afirmou que recorrerá da decisão para tentar anular o julgamento em relação a Monique.

— Estamos felizes com a condenação do Jairo. Entretanto, vivemos uma das maiores aberrações jurídicas do nosso país com essa desclassificação de Monique. O Conselho de Sentença reconheceu a materialidade, a autoria e reconheceu que Monique agiu por força de dolo eventual. Ao perceber que Monique seria condenada, a juíza criou uma situação e colocou a questão novamente para ser votada. Enquanto a Monique não teve posição favorável, a juíza não se deu por satisfeita — afirmou.

Segundo Medina, a defesa da família de Henry também discorda do perdão judicial concedido à mãe do menino.

— Mais que isso, mesmo sendo condenada por um crime de caráter hediondo, a juíza deu perdão com um discurso de gênero. Não tenho dúvida de que vamos anular essa condenação e de que Monique será submetida a um novo Conselho de Sentença. Vamos recorrer e vamos anular esse júri — disse.

O julgamento do Caso Henry chegou ao fim após mais de uma semana de sessões. Jairinho foi condenado por homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Já Monique teve a conduta desclassificada pelos jurados e recebeu perdão judicial na sentença proferida pela magistrada. A decisão ainda pode ser contestada pelas partes em instâncias superiores.

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