Matriz fechada em dia de celebração

Fiéis homenagearam São José, nessa segunda (19), na Região Metropolitana, mas lembraram que a igreja que leva o nome do santo no Recife está abandonada

Segundo a arquidiocese, um orçamento levantado no ano passado constatou que, só para a reforma do teto, seriam necessários R$ 741 milSegundo a arquidiocese, um orçamento levantado no ano passado constatou que, só para a reforma do teto, seriam necessários R$ 741 mil - Foto: Brenda Alcântara

O dia de São José foi celebrado por fiéis em todo o Estado, nessa segunda (19), mas a atenção destinada ao santo não evitou que a igreja que leva seu nome, localizada no Centro do Recife, passasse por problemas. Fechada desde 2011, a Matriz de São José, na rua Imperial, foi tombada pela Fundação Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) no dia 27 de julho de 2017, o que deu esperanças aos fiéis e apreciadores do templo quanto à reforma tão esperada. De lá para cá pouca mudança foi vista e Arquidiocese de Recife e Olinda permanece à espera de doações.

O espaço, que tem 174 anos, foi interditado pela Diretoria de Controle Urbano do Recife (Dircon). No dia do seu patrono, permaneceu de portas fechadas agonizando com uma estrutura comprometida, preste a desmoronar. “A igreja está muito sensibilizada com a Matriz de São José, é um desafio nosso”, declarou o arcebispo de Recife e Olinda, dom Fernando Saburido, durante missa em homenagem a santo, no dia de ontem, em Casa Caiada, Olinda.

Segundo a arquidiocese, um orçamento levantado no ano passado constatou que, só para a reforma do teto, seriam necessários R$ 741 mil. O valor foi enviado, em um projeto, para a instituição católica alemã Adveniat, que investe em instituições religiosas na América Latina. Mesmo ainda sem nenhuma confirmação. A arquidiocese permanece na incerteza de quando, ou quanto, esse investimento chegará.

A expectativa é que, caso o projeto seja aprovado, uma parte desse valor seja disponibilizada até a Páscoa deste ano. Apesar disso, o orçamento já pode estar ultrapassado devido às fortes chuvas que ocorreram em 2017. “Quanto mais tempo passa, pior está ficando”, observou o padre Rinaldo, presidente da comissão de patrimônio da arquidiocese de Recife e Olinda.

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O pároco responsável, há 47 anos, pela Matriz de São José, padre José Augusto, disse que permanece fazendo o seu trabalho de evangelização, sendo que na Igreja da Celestial da Santíssima Trindade, na avenida Dantas Barreto, quase em frente à sede original. “A paróquia não é um prédio, não é um ambiente, é o povo”, defendeu. O padre, preocupado com a situação da sua igreja, abriu uma conta na qual recebe doações para a reforma. As contribuições podem ser depositadas na conta da Caixa Econômica Federal (agência: 1294; operação: 003; conta corrente: 3839-0). A arquidiocese ainda estuda uma ajuda do Governo, a proposta ainda não foi enviada.

Celebrações
Nessa segunda, a paróquia de São José, em Casa Caiada, Olinda, teve uma missa celebrada pelo arcebispo de Recife e Olinda. À tarde, dom Fernando acompanhou uma procissão e celebrou missa na paróquia de Jussaral, no Cabo, na Região Metropolitana, que foi onde o pároco esteve no início de sua vida religiosa. De acordo com ele, São José é um santo que carrega uma forte representação para os agricultores nordestinos. Segundo acreditam, no dia de sua homenagem, é “quando começa para o agricultor o período de chuva”, explicou o arcebispo.

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