Rio de Janeiro

"Me escondi embaixo da mesa, tremia e chorava de pavor": diz mulher que denunciou estupro e cárcere

Turista relata os momentos de medo que passou, após conhecer um rapaz num aplicativo de namoro, ir com ele a alguns bares e ao seu apartamento, em Botafogo

Alguns dos objetos apreendidos na residência de Lucas DibAlguns dos objetos apreendidos na residência de Lucas Dib - Foto: Polícia Civil/Divulgação

"Tive medo de morrer". Assim a turista paulista, de 31 anos, descreve o que considerou os piores momentos que já passou. Ela denunciou o estupro e cárcere por 18 horas, que teria acontecido no começo do mês. Era a primeira visita da mulher, que mora no interior de São Paulo, a Botafogo, e ela queria aproveitar fazendo um tour pelos bares da Rua Arnaldo Quintela. Foi lá que se encontrou com Lucas Dib, de 35, que havia conhecido por meio de um aplicativo de namoro. Ele foi preso na quinta-feira, acusado do crime. O Globo não conseguiu localizar a defesa do homem.

— Eu tinha vindo aproveitar uns dias das minhas férias na casa de uns amigos, na Barra da Tijuca, era a minha quarta vez no Rio de Janeiro. Em um aplicativo de relacionamento acabei conhecendo um rapaz que se demonstrou muito simpático, gentil e educado. Conversamos por três dias e marquei um encontro com ele — conta a mulher.

Ela disse que às 21h, do dia 3 de abril, os dois começaram a tour pelos bares. No quarto estabelecimento, aconteceu o primeiro beijo. Enquanto caminhavam para o último bar, o rapaz apontou para um prédio e disse que erá la que morava. Logo que entraram no apartamento, disse que era DJ, mostrou o seu equipamento de som e ligou uma música alta.

No depoimento à polícia, a turista contou que, após se beijarem no apartamento, Lucas começou a apresentar um comportamento agressivo e começou as violações e ameaças, que duraram das 2h às 20h, de 4 de abril. A mulher contou que a situação só não foi pior porque, pela primeira vez, havia compartilhado sua localização com amigos.

— Foi a sorte. Ainda quando estava no carro por aplicativo, a caminho do encontro, mandei print das nossas conversas, foto dele, nome completo, endereço para onde estava indo e a minha localização. Se não fosse por isso, talvez eu nem estivesse aqui — acredita.

No apartamento dele, policiais da 10ª DP (Botafogo) apreenderam objetos sexuais, pertences da vítima e o equipamento de som que teria sido usado para abafar pedidos de socorro da mulher.

— O combinado não era ir para a casa dele. Como a proposta era eu conhecer a noite carioca, ele me disse que tinha outro bar na Lapa, que era bom. Mas, que só ficava legal na madrugada. Daí, propôs de a gente esperar até um pouco mais tarde lá da casa dele. Eu aceitei — disse.

As imagens de câmeras de segurança mostram que os dois chegaram ao prédio às 23h39.

— Após ligar a música, ele fez uma bebida para a gente, agora eu já consigo ver que ali já devia ter algo. Quando deu umas 2h da manhã, ele começou a mudar o comportamento. Começou a ficar agressivo e ali percebi que estava em perigo.

Mensagens
Ela contou ainda que Lucas tomou o celular dela e conectou o aplicativo de WhatsApp ao seu computador, para evitar que pedisse ajuda.

— Ele me disse que se eu tentasse qualquer coisa me matava. Que eu não podia falar nada com ninguém. Me fez responder algumas mensagens como se estivesse tudo bem e ele mesmo respondeu outras, se passando por mim — acusou a turista.

Ela contou então que, a partir desse momento, Lucas começou a forçar relações sexuais com ela.

— Eu chorava. Tive medo de morrer. Às 14h do dia seguinte, foi o pior momento. Me escondi embaixo da mesa, tremia e chorava de pavor. Depois, comecei a pensar em maneiras de me manter mais tempo viva. Então, parei de reagir e tentei falar com ele normalmente.

Ela contou que sem dormir e sem se alimentar, estava se sentindo fraca. E, um pouco antes de um amigo chegar na recepção do prédio para procurá-la, foi abusada mais uma vez.

— O porteiro começou a interfonar e lá pela quarta vez o Lucas atendeu.

Segundo seu relato, ele disse que não conhecia o rapaz que estava na recepção e desligou. Foi quando fez novas ameaças.

— Eu implorei, falei diversas vezes que não tinha avisado nada a ninguém. Ele ficou desesperado. Pegou o meu telefone e começou a apagar a nossa conversa no aplicativo, os prints que eu tinha feito de foto dele e do nome dele. Enquanto ele fazia isso, o meu amigo continuou insistindo no interfone e ameaçando chamar a polícia.

A mulher contou que, nesse momento, conseguiu enviar uma mensagem pelo WhatsApp dizendo ao amigo que não poderia descer e pedindo para ele ir embora.

— Minha fé era de que, com aquela mensagem, ele entendesse que não estava tudo bem e não desistisse de me tirar dali. Era a minha única chance. E ele não desistiu. Quando o porteiro avisou que o meu amigo estava ameaçando chamar a polícia, então ele me deixou sair. Ele não deu uma palavra, ficou sentado em silêncio e parado me olhando.

Ela conta que desceu, saiu do elevador, deu a mão ao amigo e deixou o prédio. Já na rua, puxou o rapaz e saiu correndo.

— Estava desesperada. Não me sentia segura porque ele me ameaçou muito, dizendo que era influente e nada aconteceria com ele. Eu demorei dias para aceitar o que aconteceu e me sentir segura.

Após sair do prédio, foi direto para o hospital. De lá mesmo fez o boletim de ocorrência.

— Renasci na quinta-feira quanto soube que ele foi preso e espero que ele continue. Também espero que isso tudo sirva para alertar a outras mulheres e as encorajar, caso passem por uma situação tão triste como essa.

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